ARTIGO
Quarta-feira, 08 de Agosto de 2012, 20h:54
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LUIZ CARLOS CORRÊA CARVALHO
Geopolítica do alimento e da energia
O agronegócio brasileiro tem pela frente enormes desafios. Além de sustentar a posição, já consolidada, de importante produtor mundial de alimentos, precisa também liderar o fornecimento de combustíveis renováveis, área na qual igualmente tornou-se referência mundial. Resumindo: se já é o chamado celeiro do mundo, o Brasil agora tem de ser também a sua usina de energia. Cálculos da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO) indicam que até 2050, a oferta de alimentos no mundo terá de crescer 60%, para dar conta do aumento da demanda. Cerca de 40% desse montante adicional, deverá ser produzido em território nacional, de acordo com o estudo. Na mesma linha, projeções de demanda de energia assinalam a necessidade, segundo estudos da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), de se descobrir o equivalente a mais quatro Arábias Sauditas em termos de combustíveis nos próximos 20 anos adicionar mais 40 milhões de barris à atual produção diária mundial para dar conta da necessidade energética do planeta. Em razão de nosso pioneirismo na pesquisa, desenvolvimento e produção de combustíveis alternativos feitos à base de insumos renováveis, novamente o País reúne todas as condições para liderar esse processo em termos globais. Nós, da cadeia do agronegócio entendemos que será possível o País assumir esse papel de principal provedor mundial de alimentos, que já somos, juntamente com a responsabilidade de abastecer o mundo com tecnologia, know how e produtos voltados à energia renovável e sustentável. Temos as condições naturais, por meio de terras agriculturáveis e clima adequado, assim como as condições técnicas, na forma de meios produtivos, para levar adiante essa jornada. Com o domínio da agricultura tropical, nos valorizamos imensamente. Talvez um dos nossos pontos vulneráveis seja aquele relacionado ao ambiente institucional. Um exemplo claro e recente dessa instabilidade institucional foi o caso da redução à zero do valor da Contribuição de Intervenção sobre Domínio Econômico, a Cide, para a gasolina. Trata-se de uma medida incoerente com o papel de uma nação com a proposta de ser líder em combustível sustentável, com a necessidade de demonstrar estabilidade suficiente para atrair e manter aqui investimentos. O governo, nesse caso da Cide, sinalizou um apoio aos combustíveis fósseis em detrimento dos renováveis. O propósito era neutralizar o impacto do aumento de preços para o consumidor. Sabemos disso, mas a mensagem transmitida é de penalizar o combustível alternativo. É como se o País caminhasse na contramão do restante do mundo, ao incentivar o consumo de combustíveis fósseis em detrimento dos renováveis. O que precisamos fazer é, junto com o governo, sensibilizar a sociedade nacional e internacional, na direção de se pensar nos meios de como produzir alimentos e energias sustentáveis para atender a crescente demanda global. Foi exatamente para estimular o debate e aprofundar questões chaves em relação a essas duas frentes, segurança alimentar e energética, que nós da Abag Associação Brasileira do Agronegócio decidimos propor esses temas como pauta principal do 11º Congresso Brasileiro do Agronegócio, que promoveremos dia 6 de agosto, em São Paulo. LUIZ CARLOS CORRÊA CARVALHO, presidente da Associação Brasileira do Agronegócio - Abag