Lúcido e contundente... É o mínimo que se pode dizer do artigo O inferno de Maggi, assinado pelo ex-deputado Pedro Lima, na edição de três de junho, neste conceituado diário. Com sua verve contumaz, Lima cunhou um pensamento inquietante e absoluto, ao afirmar que o único crime do aposentado é envelhecer. De fato, neste país de memória fraca e gratidão curta, envelhecer é quase um crime... Envelhecer é uma ofensa aos padrões vigentes. Para muitos, a história é apenas um livro empoeirado numa estante qualquer da vida. No dicionário oportunista destes incautos, aposentar é encostar, é afastar, é abrir caminho para os mais jovens. Justamente por tal heresia cultural, o país vive hoje uma crise moral. Uma crise ética. Uma crise de falta de vergonha. Porque os valores de comportamento são substituídos ao bel prazer dos poderosos de plantão. Mais uma vez, elogio a coragem de Pedro Lima de tocar nesta ferida. Principalmente quando se refere ao abandono político dos aposentados do Grupo TAF da Fazenda estadual. Bravos colaboradores da gestão pública regional, que doaram esforços e sentimentos para ajudar a construir um Mato Grosso forte e próspero. Na qualidade de ex-secretário de Fazenda do governo estadual, faço um testemunho pessoal da dignidade profissional destes funcionários que se tornaram espelho da excelência no serviço público. Gente do quilate de uma Acy Castrilon, de um Waldir Maciel, de um Décio Matoso, do próprio Pedro Lima e de tantos outros. Mais que aposentados, os fiscais inativos são a própria essência dos valores regionais, são a memória da construção deste Estado, são o pilar da eficiência tributária e, sobretudo, são o retrato de uma geração que aprendeu a fazer da adversidade o sentido do progresso. Por isso, considero extremamente justo o protesto dos aposentados do Grupo TAF que reclamam de discriminação e abandono político. Primeiro que, quebrando uma tradição quase secular, os fiscais da ativa passaram a perceber vantagens que dobraram seus vencimentos em relação aos inativos. Segundo que, no aumento de 5% concedido pelo governo ao funcionalismo estadual, fiscais e policiais foram excluídos. Endosso esta manifestação porque quando fui secretário de Fazenda, o então governador Jaime Campos tinha como princípio básico da gestão de pessoal, a completa isonomia entre as carreiras na hora de encaminhar as majorações salariais. Mais do que isso, Jaime sempre priorizou os aposentados, concedendo-lhes aumentos idênticos ao dos funcionários da ativa e valorizando sua história, a tal ponto de quitar os proventos deste pessoal, dias antes do pagamento dos demais servidores. Jaime compreendeu, como poucos, tanto a importância afetiva quanto a importância objetiva de resgatar o valor patriótico dos inativos. Que na sua pauta, ao contrário, era gente muito ativa. Já que muitos deles colaboraram ativamente na administração estadual, emprestando experiência e sabedoria. Talvez, por isso, Jaime tenha mais acertado que errado em seu governo. Sugiro, inclusive, que no momento de formatar a sua nova plataforma eleitoral, Blairo Maggi consulte Jaime Campos na questão do relacionamento institucional entre governo e aposentados. Como aliado e ex-governador, Jaime terá muito a contribuir, inclusive, como interlocutor confiável junto à classe. Quando faço essa defesa dos inativos do Grupo TAF, a faço de forma isenta. Completa e absolutamente isenta, porque sou aposentado pelo INSS. Portanto, não tenho qualquer vínculo com o Estado. Quando assumi as funções de secretário de Fazenda, que muito me orgulha, me investi de uma postura cívica oferecendo meus préstimos ao Estado sem nada pedir em troca. O fiz por acreditar nas propostas e na lisura política de Jaime Campos. Ao finalizar, ratifico meu testemunho da coesão e da força institucional do Grupo TAF, que naqueles já distantes anos 90, ajudaram Mato Grosso a superar uma severa crise financeira. Apelo para este mesmo sentido de força e coesão, que os ajudarão a transpor esta fase. Porque governos passam, mas a História perdura. * UMBERTO CAMILO RODOVALHO é ex-secretário de Fazenda de Mato Grosso e aposentado pelo INSS.
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