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ARTIGO
Segunda-feira, 25 de Abril de 2011, 21h:19

LORENZO FALCÃO

Fla Flu no Engenhão

Nem me lembro mais qual foi a última vez em que fui a um estádio. Certamente, se for do meu tricolor, lá se vão mais de vinte anos. Mas a imagem do Maracanã cheio com o urro das torcidas, o pó de arroz, bandeiras tremulando, etc., jamais vai abandonar minha memória. E fui conhecer o Engenhão num dia de Fla X Flu, quando o resultado do jogo não foi nenhuma maravilha de cenário. Mas, torcedor do Fluminense é assim: perdeu, bola pra frente, porque somos um time de guerreiros. E a vida é assim também: cai, levanta; perde, ganha. Fico imaginando a pachorra do Aquiles e do Xavier, principalmente, amigos flamenguistas mais declarados da redação do Diário de Cuiabá, com a vitória do time. Sei que eles entendem de futebol e, se viram o jogo, devem estar cientes que a vitória da urubuzada foi um acidente de percurso. O Fluminense teve um volume de jogo superior. Mas isso não ganha jogo, sabemos. O mais curioso, no meu caso, foi que eu tinha perdido o hábito de ir ao estádio. Tenho assistido futebol apenas no aconchego do lar, com direito a replay, escarrapachado e refestelado no sofazão. A caminho do Engenhão pensava se vale a pena se expor. Ir a um lugar onde estão milhares de pessoas, inimigas entre aspas, com aquela gritaria toda e uma empolgação excessiva. Mas valeu, ô se valeu. “Ô Luxemburgo babaca”, gritávamos quando ele tinha aqueles chiliques de técnico estrela. Só isso já teria valido. A emoção impactante e coletiva da alegria ou da tristeza de um gol são coisas fortes, meio inenarráveis. Que também valem o ingresso. É uma questão presencial. Uma coisa que difere entre o mitológico Maraca e o Engenhão, é que no primeiro havia um espaço onde as torcidas assistiam ao jogo lado a lado ou mesmo misturadas, numa boa. Senti falta disso. Da coisa saudável que é torcer, compartilhando momentos de civilidade e antagonismo com o próximo, mesmo que ele esteja próximo mesmo. Fui com familiares ao Engenhão. Parte flamenguistas, parte tricolores. Tivemos que nos ‘desapartar’ lá na entrada. Uma pena. Queria me esbaldar em gozações e brincadeiras, especialmente com meu sobrinho que é especial, da turma do down, flamenguista roxo. Não deu, mas surpreendi-o na saída. Quando nos reencontramos, ao final da partida, armei a maior cara de pau e disse pra ele que já chegou me questionando com o olhar provocativo: “Agora sou flamenguista, não quero mais saber do Fluminense”. De mentirinha, gente. Continuo tricolor de coração. LORENZO FALCÃO é editor do caderno Ilustrado e escreve neste espaço às terças-feiras [email protected]

Edição EDIÇÃO 16961




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