Céu azul, sol a pino, calor de 40 graus insuportável e umidade do ar abaixo de 20%. Este tem sido o retrato de Cuiabá nos últimos tempos. Um panorama nada agradável para os moradores de muitos bairros onde a falta dágua é um problema crônico. Aliás, água potável de boa qualidade e em abundância é praticamente um utopia para muitos moradores da capital. Em meio a esse panorama nada agradável o assunto que está na berlinda é a concessão da empresa responsável pelo abastecimento e tratamento da água e esgoto da cidade, a Sanecap, à iniciativa privada. Contrários a mudança, servidores da empresa já sinalizam paralisação a partir da próxima semana, o que com certeza pode comprometer ainda mais os serviços oferecidos à população que já pena com a precariedade do sistema. Isso significa que o que está ruim pode ficar ainda pior. O debate sobre a concessão da Sanecap à iniciativa privada tem esquentado nos meios político e sindical. Prefeito e vereadores, em sua maioria, defendem a concessão; já os servidores e o sindicato da categoria são contrários à medida, pois temem perder seus postos de trabalho. A questão é mesmo polêmica, mas antes de mais nada é preciso lembrar que o que de fato interessa à população é ter serviço de qualidade, com tarifas justas, sendo a empresa pública ou privada. Infelizmente o poder público tem deixado transparecer que competência na administração das empresas que prestam serviços à população, e isso não apenas em relação à água e esgoto, não é mesmo seu ponto forte. O atendimento e a qualidade dos serviços apresentam níveis abaixo do desejado. É lamentável. Talvez por isso boa parcela da população apóie a mudança de mão na condução da Sanecap. A preocupação mesmo é com o valor das tarifas, no mais o que se quer é poder abrir a torneira sem correr o risco de passar dias sem uma gota dágua sequer, dependendo de caminhões-pipa para não deixar faltar o produto para as coisas mais simples e essenciais do dia-a-dia. O que tem se constatado ao longo dos anos é que o poder público em geral União, Estados e municípios na maioria das vezes não tem conseguido gerir com eficiência setores que são essenciais na vida dos cidadãos. É duro ter que admitir que os serviços que foram privatizados tornaram-se mais eficientes, como o caso da energia, telefonia e também as estradas, onde há a cobrança de pedágio. O que fica na mão do poder público simplesmente não funciona a contento. Privatizar ou não privatizar, eis a questão. TÂNIA NARA MELO é editora de Opinião