Em 20 de setembro último, o desembargador Dr. Antônio Carlos Malheiros, do Conselho Nacional de Justiça do Estado de São Paulo, proferiu palestra na cidade de Jaú (SP), sob o tema: Drogas, Infância e Juventude, ocasião em que foi lançado conjunto de materiais paradidáticos do projeto Educar-Reeducando com itens lúdicos para crianças do ensino fundamental (www.revistinhasinteligentes.org). O exemplo de vida do palestrante surpreendeu a todos os presentes, pois ilustrou o cenário da drogadição com situações extraídas de seu cotidiano como juiz que deixa o gabinete para se misturar às pessoas comuns, levando sua solidariedade aos usuários da Cracolândia e aos portadores de HIV do hospital Emílio Ribas. Participante de uma organização da sociedade civil de interesse público, chamada Viva e Deixe Viver, o desembargador desenvolve um trabalho humanitário com crianças hospitalizadas e usuários de drogas. A despeito de ser funcionária do judiciário paulista, e ter conhecimento do empenho do desembargador em proporcionar à equipe interprofissional (assistentes sociais e psicólogas) cursos presenciais e à distância, visando uma melhor capacitação dos membros do Tribunal de Justiça, faz-se necessário reconhecer o excepcional ser humano existente por trás da toga. Pessoa humilde, que verdadeiramente se preocupa com o próximo e procura auxiliá-lo em suas necessidades mais básicas; dentre elas, a de se reconhecer enquanto indivíduo, sujeito de direitos, e, consequentemente, motivar o resgate da dignidade do ser humano. Setembro, mês da Bíblia, Palavra de Deus viva e operante, traz no capítulo dois, versículo 26 de São Tiago que ... como o corpo sem a alma é morto, assim também a fé sem obras é morta. Ora, essa palestra veio em boa hora, no mês apropriado; pois de que adianta acreditar num mundo melhor se nada se faz para obtê-lo? Inúmeras pessoas insistem na repressão ao tráfico de drogas, na prisão dos traficantes e sua punição exemplar. Deixam de perceber, no entanto, que a comercialização e o consumo das drogas já estão completamente disseminados em nossa sociedade. A polícia trabalha enxugando gelo, e nossos promotores e magistrados são ameaçados diuturnamente, trabalhando numa situação de risco constante. Somente a prevenção e o investimento na educação podem alterar o cenário atual. A informação e sensibilização de nossas crianças e jovens precisam começar cedo, antes que caiam nas teias desses mercadores de almas, destruidores de famílias inteiras. A fé sem obras é morta. Façamos a nossa parte unindo esforços na prevenção e conscientização das pessoas. Cada um de nós tem amigos, vizinhos, colegas de trabalho, pessoas que necessitam de uma palavra amiga, apoio e orientações. Vamos viver e deixar que outros vivam, alertando e prevenindo, pois o futuro de nossa gente depende disso. *MARIA REGINA CANHOS VICENTIN é escritora
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