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ARTIGO
Segunda-feira, 01 de Setembro de 2014, 21h:37

PABLO RODRIGO

Ética e prática no jornalismo

Qualquer pessoa que decida seguir a carreira de jornalismo deve entender que, uma vez profissional, está ali para informar a população. Se a função do jornalista é informar, as suas emoções não devem influenciá-lo. Jornalistas não são notícias, e, embora pese a crescente pressão da concorrência feroz entre os veículos de comunicação, não deve nunca confundir-se com ela. O jornalista não serve para desacreditar pessoas ou instituições, pagar favores, perseguir inimigos, encetar campanhas ou servir de trampolim para se atingirem fins velados de natureza pessoal. Se, eventualmente, tais fatos, desacreditam ou abonam a favor de pessoas ou instituições, é algo que cumpre aos leitores concluírem a partir da leitura dos tais fatos noticiados. Mas a verdade é que acaba sendo decepcionante ter que usar as palavras "seguir" e "carreira" na mesma frase em que se descreve a prática do jornalista. Pois a mídia, no sistema capitalista, se submete ao mercado. Tem valor comercial. Assim, o que interessa mesmo é a versão, nem sempre o fato. O jornalista se exerce por uma profissão exposta a grandes tentações. A começar pelo salário defasado, que submete o profissional a prevaricação. Na era em que a informação é dinheiro, custa crer que o interesse econômico se subordinará aos cânones éticos. Mas infelizmente o distanciamento daquilo que parecia ser o sentido democrático original do jornalismo - a liberdade de expressão - faz com que a atividade de jornalista tenha servido muitas vezes para dar continuidade aos projetos do monopólio de políticos e famílias dominantes: assim como a chamada “propriedade cruzada" (quando um grupo ou família pode ter TV, rádio, jornal e revista, e reforça as relações entre grupos de mídia e as oligarquias tradicionais), principalmente em pequenos municípios, que é quase hereditário, já que, no geral, as mesmas famílias e políticos obtêm toda, ou quase toda, imprensa. Já a linha que separa a moral, a lei e a ética é muito tênue. A moral se detém à obediência das regras de conduta, costumes e normas universais; as leis se baseiam na moralidade para estabelecer parâmetros de comportamento aos membros de uma sociedade; e a ética é o que orienta as pessoas com o objetivo de se chegar ao bem coletivo a partir das práticas individuais, através da capacidade de cada um de julgar o que é “bom” ou “mau”. Assim, fica fácil entender que nem sempre o que é legal é ético, e nem tudo que é ético necessariamente é legal. E é aí que se origina parte do esvaziamento da prática do jornalista – uma atividade que se encontra bem no meio desses conceitos –, por conta das questões legais em detrimento da ética. Enfim, é preciso entender que mesmo não sendo uma exigência legal, a ética é, sim, algo ‘legal’ de se praticar. E mais legal ainda é que o povo, ‘juízes’ legítimos do jogo democrático, fique atento a esse tipo de prática. PABLO RODRIGO é editor de Política do Diário

Edição EDIÇÃO 16967




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