ARTIGO
Segunda-feira, 10 de Dezembro de 2007, 19h:08
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LUIZ CESAR DE MORAES
Estou fazendo minha parte
Eu sou daqueles que sempre tentam se alinhar com posições consideradas sensatas, como aquela da fábula do beija-flor, descoberto um dia no afã de apagar incêndio enorme, apenas indo e voltando ao lago e aspergindo gotículas dágua sobre o fogo. Indagado de maneira sarcástica por um dos animais da floresta se acreditava ter mesmo poderes efetivos para lutar com fogo de tamanha proporção, limitou-se a responder que o importante era fazer sua parte. E mais não disse, continuando a ir e vir, executando pacientemente a nobre missão de bombeiro. É por isso que compartilho da opinião de gente importante e gente comum deste País, segundo a qual só a renúncia à presidência do Senado não redime o senador Renan Calheiros, que usou e abusou de sua condição de político influente para obter vantagens mil, inclusive em questões de alcova. Da mesma forma como não concordo com o fôlego concedido pela Justiça aos deputados Chica Nunes e Pedro Henry, cassados, mas mantidos no cargo por força de dispositivo apresentado por seus respectivos advogados. Era o caso de ambos ficarem sem mandato até o julgamento final. Era ou não era? Outra coisa: preciso deixar claro que comungo do apostolado de Dom Luiz Flávio Cappio, bispo de Barra, na Bahia, tanto no que diz respeito à sua luta para evangelizar os povos do Nordeste, quanto à sua segunda greve de fome para chamar a atenção da opinião pública quanto à sua posição de rejeição à transposição das águas do rio São Francisco. Sem entrar no mérito da questão, que certamente devia ser melhor estudada, analisada sob outros ângulos e discutida de maneira mais detalhada, a luta do bispo é um gesto nobre, que denota preocupação com o resultado final da obra, que pode privilegiar apenas os já privilegiados como ele teme e denuncia. Sou contra, igualmente, às manifestações políticas do conselheiro Júlio Campos na mídia, pelo menos enquanto ele ainda é conselheiro, pois como tal ele não deve se manifestar. É pago pelo erário tão somente para julgar as contas dos órgãos públicos mato-grossenses. Se estou consciente de que externar minha opinião sobre distorções na política é malhar em ferro frio? Ora, tenho que fazer a minha parte e disso não abro mão! LUIZ CESAR DE MORAES é editor de Opinião do Diário