O programa televisivo Resumo do Dia levado ao ar na segunda-feira (14/12), apresentou o resultado de uma enquete feita com a população cuiabana. À pergunta sobre qual teria sido o fato positivo mais marcante ocorrido em 2009 em nossa cidade, a resposta quase unânime foi: a vinda da Copa do Mundo para Cuiabá. Essa matéria lembrou-me de outra quase unanimidade vivenciada em Cuiabá há muito tempo, relatada pelo Professor Fernando Tadeu Borges de Miranda, da UFMT, no livro Esperando o Trem (Editora Scortecci, São Paulo, 2005). Nele o autor discorre sobre os sonhos e as esperanças da chegada do trem a Cuiabá ao longo de um século e meio. Trata da luta, iniciada em 1852, para a construção da ferrovia que deveria vir até aqui para trazer o progresso e toda sorte de melhoramentos sociais. Tal sonho parecia concretizar-se em 1904, com a criação da Companhia de Estradas de Ferro Noroeste do Brasil e a concessão, pelo Governo Central, para a construção de uma estrada de ferro de Bauru à Cuiabá. Em 1907, no entanto, o traçado da ferrovia foi modificado, estabelecendo-se seu ponto final em Corumbá, Mato Grosso do Sul e, até hoje, segundo o Professor Fernando Tadeu, a espera cuiabana pelo trem símbolo de modernização e progresso continua... Não sem certo sentimento de frustração, emendo eu. Eis que agora, 157 anos após as primeiras articulações pela nossa estrada de ferro que perdemos para Mato Grosso do Sul, temos a confirmação de sub-sede da copa, numa disputa vitoriosa contra Campo Grande! É o trem do século XXI que tem seu ponto final em Cuiabá, sem passar por lá! É a glória! Não apenas isso. A Copa, no imaginário da população manifestado na enquete, trará benefícios que serão partilhados por todos no futuro. Alimenta esperanças num outro amanhã, cheio de progresso e melhoramentos sociais, tal qual aconteceu com as expectativas em relação ao trem. As diferenças, no entanto, são significativas. Primeiramente é a espera, que será breve, de apenas quatro anos; segundo, que não se vislumbra a possibilidade de alguém modificar o traçado deste evento. Cresce, pois, a responsabilidade de todos aqueles que estão comprometidos na viabilização das tarefas que envolvem a Copa, para que os melhoramentos sonhados pela população se concretizem. São anseios, projetos e sentimentos que o povo joga para o futuro, como forma de aliviar carências do presente, esperando um amanhã melhor. Ninguém tem o direito de desperdiçar esse voto de confiança, nem de frustrar expectativas tão carinhosamente acalentadas pela população. * REINHARD RAMMINGER, economista, Mestre em Economia pela Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT). Gestor governamental/MT
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