NA HORA
O jornal de Mato Grosso Facebook Facebook twitter youtube

Cuiabá MT, Terça-feira, 23 de Junho de 2026

ARTIGO
Terça-feira, 29 de Dezembro de 2009, 23h:29

REINHARD RAMMINGER

Esperando a Copa

O programa televisivo “Resumo do Dia” levado ao ar na segunda-feira (14/12), apresentou o resultado de uma enquete feita com a população cuiabana. À pergunta sobre qual teria sido o fato positivo mais marcante ocorrido em 2009 em nossa cidade, a resposta quase unânime foi: “a vinda da Copa do Mundo para Cuiabá”. Essa matéria lembrou-me de outra quase unanimidade vivenciada em Cuiabá há muito tempo, relatada pelo Professor Fernando Tadeu Borges de Miranda, da UFMT, no livro “Esperando o Trem” (Editora Scortecci, São Paulo, 2005). Nele o autor discorre sobre “os sonhos e as esperanças da chegada do trem a Cuiabá ao longo de um século e meio”. Trata da luta, iniciada em 1852, para a construção da ferrovia que deveria vir até aqui para trazer o progresso e toda sorte de melhoramentos sociais. Tal sonho parecia concretizar-se em 1904, com a criação da Companhia de Estradas de Ferro Noroeste do Brasil e a concessão, pelo Governo Central, para a construção de uma estrada de ferro de Bauru à Cuiabá. Em 1907, no entanto, o traçado da ferrovia foi modificado, estabelecendo-se seu ponto final em Corumbá, Mato Grosso do Sul e, até hoje, segundo o Professor Fernando Tadeu, a espera cuiabana pelo trem – símbolo de modernização e progresso – continua... Não sem certo sentimento de frustração, emendo eu. Eis que agora, 157 anos após as primeiras articulações pela nossa estrada de ferro que “perdemos” para Mato Grosso do Sul, temos a confirmação de sub-sede da copa, numa disputa vitoriosa contra Campo Grande! É o trem do século XXI que tem seu ponto final em Cuiabá, sem passar por “lá”! É a glória! Não apenas isso. A Copa, no imaginário da população manifestado na enquete, trará benefícios que serão partilhados por todos no futuro. Alimenta esperanças num outro amanhã, cheio de progresso e melhoramentos sociais, tal qual aconteceu com as expectativas em relação ao trem. As diferenças, no entanto, são significativas. Primeiramente é a espera, que será breve, de apenas quatro anos; segundo, que não se vislumbra a possibilidade de alguém modificar o “traçado” deste evento. Cresce, pois, a responsabilidade de todos aqueles que estão comprometidos na viabilização das tarefas que envolvem a Copa, para que os melhoramentos sonhados pela população se concretizem. São anseios, projetos e sentimentos que o povo joga para o futuro, como forma de aliviar carências do presente, esperando um amanhã melhor. Ninguém tem o direito de desperdiçar esse voto de confiança, nem de frustrar expectativas tão carinhosamente acalentadas pela população. * REINHARD RAMMINGER, economista, Mestre em Economia pela Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT). Gestor governamental/MT [email protected]

Edição EDIÇÃO 16967




ENQUETE
Você acredita que a Ferrovia Vicente Vuolo vai chegar a Cuiabá?
Sim. Seria uma questão de tempo. E de interesse.
Não. A Rumo já sinalizou que não é uma prioridade
Tanto faz. Em MT, os políticos não ligam para a obra
PARCIAL