ARTIGO
Segunda-feira, 01 de Setembro de 2008, 21h:14
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LUIZ CESAR DE MORAES
Esperança é o tema
Fosse o presidente Lula a se manifestar sobre o pleito que se avizinha certamente empregaria o surrado chavão que se acostumou a usar em cem de cada cem pronunciamentos que faz: nunca antes na história deste país as eleições para prefeitos e vereadores conseguiram reunir tanto discurso vazio. Assim como nas Olimpíadas de Pequim, evento que ficou marcado por pífios resultados da equipe brasileira em comparação com os jogos de Atenas, também no caso das eleições municipais deste ano o nível dos candidatos deixa muito a desejar. Afora uma ou outra honrosa exceção, repito, a grande maioria dá a entender que busca mesmo é uma sinecura, um cargo público bem remunerado, com status de autoridade, que durante quatro anos ou mais concede ao ungido muitos direitos negados ao cidadão comum. Um direito, é bom que fique claro, que em termos de Brasil significa que o político eleito ascende a um patamar às vezes situado acima da lei e da ordem. Talvez seja esta a razão que explique porque há tanta gente interessada no cargo, um número tão grande de aventureiros ansiando por uma posição para a qual não reúne os predicados necessários, uma multidão assustadora de pessoas que de uma hora para outra decidiu posar de defensora dos pobres e oprimidos. Para o bom entendedor, um risco é francisco e não é preciso pingar o i nem cortar o t, como diz a sabedoria popular. Basta olhar o horário eleitoral gratuito na TV para perceber que há muita gente brincando de fazer política, que deve ser, acima de tudo, uma coisa muito séria e feita por gente capacitada, pois ela pode ser a base de um futuro melhor para nós, brasileiros. Se alguém ainda tem dúvida, que preste atenção ao que dizem candidatos caça-corruptos, aqueles que aparecem na posição de perseguidores de bandidos, quando ficariam melhores se estivessem a correr da polícia, nos que não sabem o que dizer diante das câmeras, ou naqueles para quem ler um discurso pronto é uma verdadeira tortura. Era necessário que os partidos políticos fizessem uma triagem mais rigorosa na escolha dos candidatos aos cargos, tanto de vereador como de prefeito, até para efeito de sua própria sobrevivência. Devido principalmente à penetração da mídia em todas as camadas da população, o povo hoje é mais esclarecido. Felizmente a situação está mudando. Mas eu estou convencido, como Lula também diria ao repetir seus inúmeros chavões, que este ano o eleitor cometerá menos erros em suas escolhas, que saberá separar o candidato que tem projetos importantes para ajudar no desenvolvimento da cidade, daquele que busca tão somente os dividendos do cargo. Queira Deus que eu esteja certo. LUIZ CESAR DE MORAES é Editor de Opinião do Diário