ARTIGO
Segunda-feira, 12 de Setembro de 2011, 19h:04
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LORENZO FALCÃO
Espantar os males
Todos temos um pouco das artes no sangue. Botar ou não isso pra fora é uma questão particular de cada um. Artista: ser ou não ser, eis a questão. Mas não vale a pena encucar. Faça a sua parte ou faça você mesmo, como diz a filosofia punk. Vê até onde você pode chegar e não tenha medo de subir num palco, ou de mostrar suas criações, por mais malucas que sejam. Uma boa forma de se testar é participar de algo coletivo. Se envolver com outras pessoas que também gostam de fazer arte. Ou de se arriscar com a arte. Dessa forma venho me aventurando pelo canto coral já há alguns anos. Em março deste ano comecei no Sesc Canta e no último domingo tivemos nossa terceira apresentação. Os repertórios são sempre pré selecionados e ensaiados com bastante rigor. No domingo, cantamos três músicas: dois maracatus, gênero musical pernambucano, e um arranjo feito pelo nosso próprio regente, Carlos Taubaté, para a música Acalanto, de Dorival Caymmi. Um repertório bastante complexo para um coro que não tem assim tanta experiência. Mas valeu a pena, ô se valeu!!! Somos quase quarenta vozes, pessoas muito diferentes, gente de variadas classes sociais e econômicas. Assalariados, aposentados, profissionais liberais, funcionários públicos e alguns já com alguma experiências nas artes. Essa é a magia de um coral: reunir pessoas totalmente diferentes, mas que têm algo muito em comum, a vontade de aprender e praticar música. Falando assim, até parece que é fácil. Mas quando a gente para pra pensar no tempo que temos dedicado à essa atividade, a disciplina à qual temos que nos submeter e os esforços físico e intelectual (claro que sim) que dispendemos para dar conta do recado... Ralação mesmo. E o troco vem no conhecimento musical que estamos adquirindo e na capacidade de produzir música, uma música que merece ser compartilhada com outras pessoas. Ah, e merece até aplausos. Esse é o lance. Descobrir um pequenino talento dentro de nós e lapidá-lo, em conjunto com umas poucas dezenas de pessoas. Fazer isso, apesar de vivermos num país riquíssimo em diversidade cultural, mas que, paradoxalmente, não valoriza seus valores culturais e artísticos. E agora retornemos ao começo deste texto, sobre ser ou não ser artista. E esqueça isso. "Artista é o c...", diz a música do Rubinho Jacobina. E ponto final. Vai aqui o meu carinho aos amigos e amigas do Sesc Canta. Cantamos, espantamos nossos males e estamos felizes!!! LORENZO FALCÃO é editor do caderno Ilustrado e escreve neste espaço às terças-feiras. tyrannusmelancholicus.blogspot.com