NA HORA
O jornal de Mato Grosso Facebook Facebook twitter youtube

Cuiabá MT, Segunda-feira, 22 de Junho de 2026

ARTIGO
Quarta-feira, 22 de Janeiro de 2014, 20h:28

ELESBÃO MORENO DA FONSECA

Engolindo cobras e insetos

Fatos importantes são misteriosamente colocados de lado, num processo estranho de abandono por parte de estudiosos e instituições afins. Noticiou-se prisão de coreanos em Canarana, que estavam praticando biopirataria. Aproveitando o natural conhecimento dos índios estavam levando raízes e plantas para estudos. Infelizmente, não foi esta a primeira estada deles entre os índios, e, por consequência, pode-se inferir, não foi o primeiro ato de biopirataria. O que causa espanto é que os coreanos, à parte o ato criminoso, reverenciam o saber indígena e nós outros cá da terra mãe não damos a mínima para esse saber. E esse saber se perde. E nós todos perdemos, pois os índios são "inferiores" a nós, civilizados "superiores". Outro fato. A Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura destacou a importância dos insetos comestíveis no combate à fome no mundo. A fauna brasileira é rica em espécies comestíveis; anta, tatu, cervos, pacas, etc. Mas, pensar a sucuri como uma opção das mais aproveitáveis, é fascinante. Sem conhecer o ciclo de vida da espécie e analisando tão somente pelas informações disponíveis em sites e relatos de conhecidos, um individuo adulto deve pesar em torno de 250 kg e dá à luz 30, 40, (já ouvi relatos de mais de 80) filhotes. Lancei-me a procura de alguém que já havia degustado a famosa. Encontrei quantidade até considerável e que atestaram que o sabor é muito parecido com peixe, mais ou menos como o pintado. Só vantagens: é grande, dá bastante cria e é saborosa. Como a genética hoje produz bons milagres, quem sabe não se pode acelerar o tempo de abate do individuo e possamos formar fazendas de sucuris? Com todo o cuidado necessário poderia ser uma fonte de renda e proteínas e talvez o governo federal, pródigo com empresários de fancaria como Eike Batista, não crie um Pró-Sucuri. Já que o empresário Eike entrou no assunto, seria interessante, que a sociedade como um todo, com destaque para a imprensa, levantasse quem são os beneficiários dos grandes financiamentos, se há inadimplências renitentes, quais os critérios para a concessão dos benefícios. Isto porque privatizações são feitas com aporte financeiro do BNDES. E, vamos nos entender por aqui, caro leitor, quantos brasileiros que, em recebendo os afagos financeiros do dito banco, possuem a competência de fazer funcionar essas máquinas que o governo entrega para a iniciativa privada. Serão só esses poucos privilegiados? No universo da população brasileira, pinçam-se uns poucos ungidos pela inteligência. Nós, os apoucados dessa faculdade não temos direito a pensar sermos contemplados com financiamentos vultosos dessa instituição. O senso patriótico refinado não deveria ser a principal condição para obter financiamento ou incentivos com recurso público? Patriotismo que não se encontra nas montadoras de carros que, segundo Elio Gaspari, colunista publicado em diversos grandes jornais do país, tão logo o governo comunica a intenção de retirada de incentivo (leia-se, privilégio) dessas grandes empresas, estas começam processo de demissão. A isso, em português castiço, dá-se o nome de chantagem, ou não? Indicativo de um estado anômico: as normas que traficantes ditam nas favelas (símbolo do "apartheid" social brasileiro) como a hora de funcionamento de estabelecimentos comerciais e trânsito das pessoas. A anomia em estado puro. Soma-se a isso o açougue de vítimas humanas em que se transformou o presídio Pedrinhas de São Luís, no Maranhão. Maranhão este, desgovernado pela família Sarney de há muito, representada agora pela Roseana, degustadora das mais finas papas. A Maria Antonieta do Nordeste. *ELESBÃO MORENO DA FONSECA é engenheiro civil e músico

Edição EDIÇÃO 16967




ENQUETE
Você acredita que a Ferrovia Vicente Vuolo vai chegar a Cuiabá?
Sim. Seria uma questão de tempo. E de interesse.
Não. A Rumo já sinalizou que não é uma prioridade
Tanto faz. Em MT, os políticos não ligam para a obra
PARCIAL