NA HORA
O jornal de Mato Grosso Facebook Facebook twitter youtube

Cuiabá MT, Terça-feira, 23 de Junho de 2026

ARTIGO
Quarta-feira, 25 de Julho de 2007, 20h:39

ONOFRE RIBEIRO

Enfim, a classe média acorda!

No Brasil, quatro áreas da sociedade são capazes de levantar questões relevantes: o Congresso Nacional, as universidades, a classe média e a mídia. O Congresso Nacional dispensa comentários. As universidades vivem o arrependimento petista e escondem da sociedade sua incapacidade de produzir idéias. A classe média ficou achatada pela política econômica e fiscal dos últimos 13 anos e silenciou. A mídia retrata a mediocridade que os três produzem. Em conseqüência, o país vive um apagão de idéias, de ideais e de propósitos. Velhos princípios para velhas teorias. Nas duas últimas eleições presidenciais, a classe média brasileira se manteve anestesiada e deixou correr solto. Ela é quem sempre deu o tom à política do país. Espremida entre os pobres e os ricos, ela esperneia para não descer e trabalha para subir. Essa poderosa dinâmica criou a massa de manobra crítica do país e deu base ao desenvolvimento da economia de mercado brasileira. Anestesiada, particularmente, desde o primeiro governo Lula, quando foi rotulada como culpada pela pobreza das classes menos favorecidas, vitimou-se na comparação. Afinal, a classe média é quem sempre comprou os carros, os apartamentos, as casas, fez crescer os supermercados, os shoppings centers e deu vida à publicidade e ao marketing brasileiros. O poder de compra foi ideologicamente transformado em concorrência com os pobres, na visão tosca do governo neo-esquerdista. Na eleição presidencial de 2006 a classe média foi puramente espectadora distante e alienada. Mas os sucessivos apagões morais no governo, as bobagens cometidas em série pelo Congresso Nacional começaram a despertar o único segmento da sociedade brasileira com capacidade de fazer valer a sua indignação, já que os ricos se arranjam na cúpula do poder que dominam, e os pobres desconhecem sua força política e se deixam manipular. O acidente da Gol, no ano passado, atingiu a classe média, quem mais voa no país. O apagão aéreo, que se sucedeu, levantou lentamente uma indignação morna e sem vontade. Contudo, o acidente da TAM, há uma semana, mexeu com a classe média. Ela consegue fazer barulho e ser ouvida. É o que está fazendo, protestando, vaiando, gritando, chorando. A vaia ao presidente Lula na abertura dos jogos do PAN deixou bem claro quem estava vaiando: a classe média contra um presidente populista e desvocacionado para governar. O acidente com o avião da TAM abriu a caixa preta da incompetência governamental e desnudou o presidente que não governa e faz discursos como se governasse. Daqui pra frente – a seguir o perfil da história brasileira – começará o desmonte do governo e o fim do céu de brigadeiro de Lula. FHC perdeu o governo com o apagão aéreo e praticamente saiu da história ao fim do seu governo. Lula entrou no seu próprio apagão e tem contra si a indignação da classe média que estava ausente da vida política brasileira. Ela tem o poder de discernir, de provocar e a capacidade de se fazer ouvir. Os sinais de esvaziamento do populismo estão no ar e tendem a crescer levando junto essa onda de apagões produzidos pela incompetência e pelo desprezo da lógica. * ONOFRE RIBEIRO é articulista deste jornal e da revista RDM [email protected]

Edição EDIÇÃO 16968




ENQUETE
Você acredita que a Ferrovia Vicente Vuolo vai chegar a Cuiabá?
Sim. Seria uma questão de tempo. E de interesse.
Não. A Rumo já sinalizou que não é uma prioridade
Tanto faz. Em MT, os políticos não ligam para a obra
PARCIAL