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ARTIGO
Sexta-feira, 10 de Julho de 2015, 20h:10

RENATO DE PAIVA PEREIRA

Em defesa da morte

A eutanásia volta à mídia mundial. Desta vez através da revista The Economist, uma das mais renomadas publicações mundiais. A decisão de morrer na hora que bem entendermos e pela forma que julgarmos melhor deveria ser um direito à disposição de todos. Claro que podemos botar fim à vida, independente do que pensam os outros, mas somente em circunstâncias em que temos força para isso, pois o suicídio exige capacidade física para ser consumado. Qualquer um, independente das dores que sofre e da irreversibilidade de alguma doença, não consegue findar o sofrimento se as forças físicas lhe faltarem. A ajuda médica tão necessária nessa hora, não é possível porque a sociedade condena e a lei proíbe. Mas diversos países europeus e alguns Estados americanos já conseguiram legalizar a eutanásia, a despeito da condenação da maioria, que ainda reluta em permiti-la, pelo menos por enquanto. Sei que o um assunto é complicado e que desperta paixões, principalmente nos que acreditam na sacralidade da vida e imortalidade da alma. É natural que os criacionistas tenham dificuldades em admiti-la, o que é aceitável, posto que defendem a vida como dádiva divina e que somente quem a deu pode tirá-la. Já os evolucionistas, por lógica, não pensam ou não deveriam pensar assim. Para nós os Darwinistas a vida começou acidentalmente de forma rudimentar e foi, em milhões de anos, transformando-se até chegar ao que é hoje. Essa dinâmica não contempla a alma. A vida, para os que aceitam essa teoria, não foi criada por um ente superior e nada há de sagrado nela. Se não há vida futura para um chimpanzé, e nem reencarnação para um gorila, nossos primos próximos, também não há paraíso aguardando o homo sapiens, que até ontem (em termos evolucionistas) estava em um grupo ainda indiviso, brincando nas árvores da mata africana com os parentes primatas. A homossexualidade, “o amor que não ousa dizer o nome” (Oscar Wilde), combatida com todas as forças, ridicularizada e perseguida, pouco a pouco vem ganhando o direito de não precisar esconder-se. O que é lógico e desejável. Afinal quem pode impedir que dois adultos usufruam da sexualidade da forma que acharem mais interessante? O direito à eutanásia caminha menos que a aceitação da homossexualidade. Mas um dia, por certo, quem está achando a vida insuportável, terá o direito de interrompê-la. Já bastam as múltiplas interferências do Estado em nossas vidas. Que ele (o Estado) nos deixe morrer em paz, e, se possível com dignidade e sem dor. Os que cultivam outras crenças não terão nenhum prejuízo quando a liberdade se impuser. Nada os obrigará a descrerem do paraíso celeste, a se relacionarem com pessoas do mesmo sexo ou pedir a antecipação da morte. * RENATO DE PAIVA PEREIRA – empresário e escritor [email protected]/blog:bemtevimos.com.br

Edição EDIÇÃO 16965




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