"Conversa de boteco". Gostei da tirada do governador Silval Barbosa, porque não surgiu como algo ensaiado, de caso pensado, mas saiu assim em cima da bucha e de forma espontânea. Foi com essa reação inusitada que o governador respondeu aos repórteres que, aliás, cumprindo com papel deles de buscar informações, especialmente quando representam "furos" jornalísticos, tentavam encostá-lo na parede. Tudo por conta de matéria - que, por sinal, saiu em primeira mão no Diário - citando trechos de e-mails "grampeados" pela Polícia Federal e nos quais dois membros da quadrilha do contraventor Carlinhos Cachoeira mencionavam a eleição do governador Silval Barbosa, dando a entender que esse fato poderia facilitar o controle da Lemat pelo grupo do bicheiro. Silval, obviamente, quando se referiu ao "papo furado" dos marginais não estava - acreditamos - pondo em dúvida o teor, a veracidade das escutas e o monitoramento feitos pela PF, que há tempos já vinha acompanhando as movimentações de Cachoeira e seu grupo, mas, sim, à falta de fundamento nos diálogos, via e-mails, trocados entre os dois "assessores" do bicheiro, sendo que um deles é cunhado do próprio contraventor. Com efeito, na transcrição dos diálogos não existe nenhuma menção, antiga ou atual, sobre qualquer tipo de acerto, promessa ou conversa mantida entre Silval Barbosa, Cachoeira ou seus prepostos. Nada, a não ser meras suposições dos ditos-cujos "grampeados de que, com Silval eleito, as portas de Mato Grosso estariam abertas para Cachoeira e seu grupo, começando pelo controle da Lemat. Baseados em quê, não sei explicar. Apenas que se trata de uma ilação com toda pinta e jeito de não passar de "conversa de boteco", conforme definiu o governador. Fato, porém, que não dispensa, por parte das autoridades, uma rigorosa investigação a respeito do episódio - se é que já não foi esmiuçado e nada foi encontrado de comprometedor. Tese, por sinal, que achamos a mais provável, porque senão, caso alguma prova ou mesmo indício de envolvimento de Silval Barbosa (ou de membros da sua equipe) com o grupo de Cachoeira tivesse sido detectado, as consequências seriam outras, talvez mais drásticas e danosas para o governador Silval Barbosa e seu governo, do que os respingos representados pelo "vazamento" do conteúdo dos referidos e-mails. Quem achar o contrário, que ache, mas eu entendo que se tivesse alguma coisa concreta, grave, contra Silval, a estas alturas do campeonato ele estaria com a vida "enrolada" - igual ou pior que a do senador Demóstenes Torres, que está em vias de ter o seu mandato cassado, correndo risco de vir a sofrer consequências penais, pelo fato - ele, sim! - de ter se envolvido com "dom" Carlos Cachoeira - um mafioso da jogatina e com bem azeitadas relações no mundo da política e em setores da própria Imprensa, conforme apontam novas revelações sobre a trajetória desse "capo do Cerrado", com bases fincadas no estado de Goiás e ramificações no Distrito Federal, Paraná e em São Paulo. É factível conjecturar que ele tivesse interesse de abocanhar a Lemat, porém isso não significa que Silval Barbosa soubesse, antecipadamente, ou estivesse concordando com a ambição de Cachoeira. Quem pode garantir essa suposta conivência do governador?! Quanto a mim, prefiro ficar com as informações trocadas entre os dois integrantes do grupo do bicheiro. Isto é fato e foi relatado! Embora adore uma "conversa de boteco". Desde que espirituosa, divertida e sem vieses inconsequentes. Mário Marques de Almeida é jornalista.
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