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ARTIGO
Quinta-feira, 19 de Março de 2009, 21h:51

ENOCK CAVALCANTI

Eleição de 2010: há muitas indagações

*** Meus amigos, meus inimigos: já se iniciaram as tratativas para a disputa eleitoral de 2010 só que o cenário político ainda se mostra muito confuso neste sempre confuso Estado de Mato Grosso. Qual será o candidato abençoado por Blairo Maggi, atual governador? Qual será o destino de Maggi, depois de deixar o trono do Paiaguás – ficará na política, vai se dedicar ao silencio de seus negócios? O PR formará uma coligação mais à esquerda, articulando-se com PT, PSB, PMDB, PC do B, etc, ou vai se inclinar à direita e bancar um projeto em que seja parceiro de José Riva? Será que o PSDB, de Wilson Santos e Antero Paes de Barros, conseguirá replicar, no plano estadual, a coligação que já se anuncia, no plano federal, reunindo o PSDB, o DEM de Jayme Campos e o PPS de Percival Muniz? As forças que impediram o PT de ter candidatura própria à prefeitura de Cuiabá, atuarão, mais uma vez, para impedir que o partido de Lula lance candidatura própria ao Governo do Estado, levando-o a um novo episódio de subordinação ao PR dos patrões da soja? Ou será que o PR vem com Abicalil na cabeça? Será que já foi tudo devidamente costurado para que Francisco Galindo e o PTB herdem o comando da Prefeitura de Cuiabá, com a saída de Wilson Santos para a disputa do Palácio Paiaguás? Sérgio Ricardo vai teimar em concorrer a governador até o fim, ou troca a trama por uma vaguinha no TCE? Teremos, neste eleição, finalmente, o mergulho eleitoral do juiz federal Julier Sebastião da Silva e do procurador da República José Pedro Taques? Na queda de braço dentro do PT, quem acabará ungido para a disputa do Senado, Serys Slhessarenko ou Carlos Abicalil? Teremos uma disputa dessa vez mais programática ou a baixaria continuará dando o tom no eleitoralismo mato-grossense? O eleitorado dará uma nova chance para Chica Nunes e Pedro Henry ou vai sepultar de vez estes mandatos tão questionados? A ascenção de José Carlos do Pátio, à frente da Prefeitura de Rondonópolis, trará, finalmente, o ocaso do cacique Carlos Bezerra no comando do PMDB ou Bezerra demonstrará, mais uma vez, que é imortal? O procurador Mauro, isolado e dançando o rasqueado, será o único candidato de esquerda em cabeça de chapa? José Riva continuará driblando a Justiça ou, finalmente, será atingido por uma sentença desfavorável, passando assim a integrar as listas sujas da Justiça Eleitoral e a ter ameaçada a sua permanência na atividade política? Qual será o desembargador que sucederá Leônidas Duarte Monteiro, no comando do TER e que ficará responsável pela condução do pleito tão decisivo: Evandro Stábile, Donato Fortunato Ojeda ou Orlando de Almeida Perri? *** Vejam que listei apenas alguns poucos dos muitos questionamentos que estão nos corações e nas mentes mais atentas, neste inicio de 2009 em que, de resto, a disputa eleitoral de 2010 não deveria ter tanta prevalência assim. Acontece que a política no Brasil, e também em Mato Grosso, é guiada pelo interesse particular e ególatra de seus caciques – e as políticas públicas vão sendo deixadas de lado, ou vão sendo engolfadas pelos interesses ocasionais dos mandaretes de plantão. Basta olhar para as confusões que cercam a implementação das obras do Programa de Aceleração do Desenvolvimento (PAC), na Grande Cuiabá, para se perceber que a disputa eleitoral, que sempre se entranha nos negócios públicos, é uma espécie de bactéria a contaminar toda a rotina administrativa de nossas cidades, de nossos estados, deste nosso triste país. *** O fato é que a disputa de 2010 já vai tomando todos os espaços e todos os corações. Eu, sinceramente, preferiria que as coisas seguissem mais devagar, com uma reflexão mais sossegada. No PT, por exemplo, que não se impussesse na marra uma aglutinação em torno de Dilma, mas que houvesse uma prévia, onde ela pudesse expor e sedimentar melhor suas propostas para os setores populares da nação. Sim, eu gostaria de ver um debate aprofundado, dentro do PT, entre Dilma, Tarso Genro e que outros nomes surgissem. Mas sei que, falar em eleição de 2010, agora, faltando ainda tanto tempo e com tantas pontas soltas, ainda é mais desejo que realidade. ENOCK CAVALCANTI, jornalista e advogado em Cuiabá, é titular do blog www.paginadoe.com.br

Edição EDIÇÃO 16964




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