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ARTIGO
Quarta-feira, 24 de Agosto de 2011, 19h:19

NATACHA WOGEL

Efeito São Thomé

As obras faraônicas para a Copa de 2014 em Cuiabá de fato não deslancham. Exceto a Arena Pantanal e o puxadinho do aeroporto – módulo operacional para substituir provisoriamente a vergonhosa atual sala de desembarque do Marechal Rondon -, as pessoas não veem nenhuma construção em curso, sobretudo quando o assunto é mobilidade urbana. A sensação de que estamos vivendo um conto de fadas sobre essa questão permeia as rodas de conversa por toda a cidade, uma incredulidade semelhante à que se refere a construções de hospitais, escolas equipadas e rodovias pelo poder público. Anunciadas, boa parte delas, desde o início de 2010 – pelo menos as tão necessárias de desbloqueio, para garantir a fluidez no tráfego ao longo das megaconstruções – as obras para instalação do novo modal de transporte e para expansão de vias parecem não sair de projetos bem elaborados, embora alguns muito criticados. Meu questionamento é exatamente o seguinte: como podem sair do papel projetos tão suntuosos, de tanta monta e tantos recursos, a maioria intervenções aguardadas na cidade há décadas, em apenas tão pouco tempo? Pensar em obras desse porte, no tamanho das modificações que a cidade terá de sofrer para serem concretizadas, remete a um período longo com canteiros de obras espalhados por todo lado, como muitas grandes centros brasileiros vivem ou já viveram em determinados momentos. Recordo-me de Brasília, onde estive em férias há um ano. A implantação do corredor para instalação do BRT (ônibus rápido) na cidade, ligando zona metropolitana ao Plano, já durava cerca de quatro anos em 2010 e até hoje não foi terminada. E o projeto praticamente dispensava desapropriações, por acontecer já em vias amplas. Não é o caso de Cuiabá, cujo modal escolhido não é o mesmo, porém, também demanda alguns deslocamentos de imóveis – atividade que “coincidentemente” anda a passos de tartaruga. Sei o que todos que estão acompanhando com atenção sabem sobre a realização da Copa do Pantanal: faltam menos de três anos para a realização do Mundial no Brasil e, a se concretizar de fato, temos um desmontável terminal aeroportuário em vista, além de um estádio. São suficientes para garantir a chegada, a permanência e a satisfação do público aguardado para assistir aos quatro ou cinco jogos previstos para Cuiabá? Não acredito! NATACHA WOGEL é editora de Cidades

Edição EDIÇÃO 16962




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Você acredita que a Ferrovia Vicente Vuolo vai chegar a Cuiabá?
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Não. A Rumo já sinalizou que não é uma prioridade
Tanto faz. Em MT, os políticos não ligam para a obra
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