O Brasil abriu as portas para trabalhadores com curso superior. São profissionais altamente especializados cujo mercado está em expansão no país, mas não temos recursos humanos suficientes. Com remuneração pra lá de excelente, esse nicho de mercado de trabalho está fazendo a festa dos estrangeiros que, com uma qualificação excepcional, não tem onde trabalhar em seus países de origem. A falta de profissionais em algumas áreas é o reflexo da falta de investimento no Brasil que só aparece em período eleitoral, onde os candidatos ficam até roucos em afirmar que educação será prioridade em seu governo. Desde o descobrimento do Brasil, não existe um só programa que conseguiu esse grau de excelência ser o diferencial e receber o aval de especialistas como a salvação da educação. Isso prova que educação para político é uma ótima plataforma de campanha. Depois de eleito, esquece-se tudo, colocando em prática aquele velho ditado fale o que digo, não faça o que eu faço. Países que levaram a educação, como Coréia do Sul, China e Japão, não estão com problemas de profissionais de primeira linha porque lá a educação é uma realidade. Levaram-se décadas para solidificar essa riqueza eterna. No atual estágio da educação brasileira, somente uma mudança radical começar do zero onde será alicerçado um projeto único sem a interferência de governos que entram e não querem mais tocar a obra. Para isso, é preciso eliminar a atual concepção de educação, zerar tudo. É como se fosse uma lavoura que precisa ser queimada, exterminada. Depois, inicia-se um novo plantio. Há 25 anos, Mato Grosso tentou colocar em prática o Projeto Resgate do Ensino Noturno. O programa-piloto foi idealizado na Escola Estadual Licínio Monteiro da Silva, em Várzea Grande. O ano era 1987 e tinha tudo para dar certo. Assim como todos os programas educacionais, um programa teórico impecável. O problema foi a colocação na prática. Assim como todos os programas educacionais em todo o Brasil, não veio recurso e o que estava escrito não era cumprido. O resultado é que o Projeto não foi pra frente. Assim como milhares de programas no país, faltou vontade política. Como sempre, termino meus artigos com a mesma frase que é atualíssima: até quando? ADILSON ROSA é repórter