Graças à abertura dos portos no governo Collor, que empresas brasileiras investiram pesado para modernizar o parque industrial, aumentar a produtividade, visando uma economia em escala, e privilegiando os consumidores com produtos de qualidade e preços acessíveis. A partir daí, e com aparecimento de muitas novas empresas em todas as áreas da atividade econômica, a verdadeira concorrência finalmente virou realidade no País. E com a introdução do real no governo FHC, tornando nossa moeda forte, e ao mesmo tempo extirpando o vírus da inflação, os consumidores ficaram mais exigentes, e passaram a pesquisar e comprar produtos não só pela qualidade, mas, pelos de preços vantajosos. Até os governos nas três esferas passaram a introduzir o pregão eletrônico nas suas compras, incentivando a concorrência com seus fornecedores, traduzindo em bilhões de reais em economia para o erário. Mas, quando falamos em governo, tudo é possível acontecer! Porque os lobies principalmente das grandes corporações é muito forte, muitas vezes até promíscuas, porque incautos dirigentes públicos são cúmplices diretos na busca de facilidades. E como prova destas irresponsabilidades, e nos estertores de seu governo, o presidente Lula, dá uma banana para economia de mercado, e deve aprovar neste mês mudanças esdrúxulas nas regras das licitações públicas, privilegiando empresas brasileiras, que poderão apresentar preços até 25% maiores que os correntes internacionais, e ainda assim ganhar o pedido. Ou seja, num produto que uma empresa estrangeira venderia ao nosso governo, por exemplo, por US$ 1 milhão, o fornecedor tupiniquim poderá ganhar tranquilamente este pedido por US$ 1, 250 milhão. Tudo isso, em nome da criação de mais empregos. O que é uma estupidez... E esta será mais uma fonte inesgotável de corrupção no País! Imagine você caro leitor, quanto do suado dinheiro do contribuinte não irá para o ralo, porque o governo compra por ano algo próximo de R$ 120 bilhões. E se todos estes pedidos forem arrematados com este, digamos assim, superfaturamento de 25% nos preços, estaremos jogando fora R$ 30 bilhões por ano. Quase o valor da famigerada e já extinta CPMF... Com estes R$ 30 bilhões que o governo quer dar de bandeja para empresas brasileiras, poderia resolver problemas sérios da saúde, e educação. Ou, promover a solução definitiva de saneamento básico, e em somente dois anos de uso destes recursos, nos estados mais pobres da federação. Sendo a maioria no norte/nordeste. E milhões de brasileiros destas regiões seriam beneficiados, porque convivem 24 horas por dia, com esgoto ao céu aberto. E com isso, reduziríamos drasticamente a mortalidade infantil, e a despesa pública com a saúde também, etc, etc. Agora eu pergunto: você leitor pagaria por um eletrodoméstico, por exemplo, 25% mais caro, só porque é produzido por uma empresa brasileira?! Seria burrice, não é! Mas o governo não é burro! Longe disso! É verdadeiramente muito esperto! Sabem muito bem calcular! E o caixa dois maior, agradece... * PAULO PANOSSIAN é jornalista
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