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Cuiabá MT, Sábado, 13 de Junho de 2026

ARTIGO
Segunda-feira, 02 de Setembro de 2013, 21h:30

CESAR VANUCCI

E se?...

E se o Governo abrisse mão da idéia do trem-bala e resolvesse realocar os 50 bilhões de reais, previstos inicialmente para a obra, noutros projetos do ponto de vista social mais prementes, o transporte coletivo dos grandes centros urbanos, por exemplo? E se os altos escalões administrativos colocassem todo empenho (possível e impossível) no sentido de articular negociações com o poderoso sistema financeiro, persuadindo-o a participar com uma quota expressiva de seus extraordinários e sempre crescentes lucros em favor dos projetos sociais que interessam à causa do desenvolvimento e do bem estar de nossa gente? E se fossem criados, por meio de tratativas inteligentemente conduzidas, mecanismos capazes de suscitar o repatriamento dos volumosos recursos que milhares de brasileiros, por razões as mais variadas, aplicaram no estrangeiro, nos chamados paraísos fiscais, de forma a que essa dinheirama ociosa toda seja incorporada, com ganhos naturalmente para os investidores, em projetos que favoreçam nossos avanços econômicos e sociais? E se, também, os poderes públicos nos diversos níveis se dispusessem, munidos de um plano de trabalho amadurecido e concatenado, a convocar empresas e contribuintes individuais inscritos na dívida pública para um acerto geral que pudesse carrear recursos substanciais aos programas de crescimento da Nação? E se, ainda, o Governo Federal resolvesse reunir os governos estaduais endividados com a União para uma renegociação dos débitos acumulados, liberando verbas substanciais, hoje empregadas praticamente no oneroso custeio da dívida, em projetos nas áreas da saúde, educação e segurança pública? E se a Nação, numa ampla conjugação de vontades de suas lideranças, optasse pela implantação de um programa social de vanguarda, coerente com esses tempos de mudanças, que estimulasse a participação no esforço de desenvolvimento das regiões mais desassistidas do interior brasileiro, da mão-de-obra técnica oriunda das Universidades? Algo assim parecido com o “Projeto Rondon”, de caráter obrigatório como foi o “Tiro de Guerra” aos 18 anos, de idos tempos, e que instituísse, ao término dos cursos, condições para o deslocamento dos profissionais diplomados, com remuneração garantida e por tempo determinado, para cidades e locais reconhecidamente carentes de recursos humanos em setores vitais? E se o currículo do ensino médio brasileiro fosse reorganizado no sentido de preparar adequadamente os educandos para ingressarem de pronto no mundo do trabalho, caso não se sintam aptos a seguir carreiras do ensino superior? E se dos planos governamentais prioritários fizesse parte, com o concurso da iniciativa privada, o incremento dos sistemas ferroviários e de navegação fluvial, de maneira a criar novas e importantes alternativas para o deslocamento de passageiros e a circulação de bens e mercadorias? E se, na esfera da atuação política, fosse cogitada, de repente, uma redução de Ministérios e de cargos parlamentares no Congresso, Assembléias e Câmaras de Vereadores? E se o Judiciário, o Legislativo e o Executivo ordenassem aos setores burocráticos sob seu controle a rígida observância da Lei da Transparência, com realce para a divulgação, sem tergiversações e engodos, das remunerações dos servidores em todos os níveis, definindo, ao mesmo tempo, procedimentos que corrijam ou amenizem, com bom senso e respeito a direitos adquiridos, as distorções salariais existentes e que evitem a reprodução de abusos ao arrepio da legislação que estabeleceu os tetos salariais para o serviço público? E se tudo isso viesse a acontecer, como fruto da vontade política e sensibilidade social de nossas lideranças, será que as coisas não passariam a funcionar mais a contento na vida nacional? *CESAR VANUCCI é jornalista [email protected]

Edição EDIÇÃO 16962




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