Atualmente, acompanhamos com apreensão cada vez maior as notícias e os acontecimentos referentes às mudanças climáticas em nosso planeta, em função do aquecimento global. Previsões de colapsos ambientais, que há algum tempo ficavam apenas nas esferas esotéricas, agora, são discutidas por cientistas e políticos em fóruns internacionais. Somos sacudidos mais fortemente para a realidade do desequilíbrio ambiental quando acontecem catástrofes como o tsunami ocorrido no Oriente, em dezembro de 2004, entre tantas outras de lá pra cá. À época, encontrava-me na Índia, um dos países atingidos pelo fenômeno. Estar no Oriente no momento daquele terrível acontecimento fez com que o impacto do choque fosse ainda mais forte dentro de mim. Profundos questionamentos e reflexões vieram à tona. Neste momento, diante de mais uma grande tragédia ambiental ocorrida na sexta-feira no Japão, aquelas e novas reflexões tornam a emergir. As atividades humanas sem levar em consideração que a Terra é um organismo vivo e, como tal, ressente-se das agressões que lhe são feitas estão levando a um desequilíbrio na natureza sem precedentes, que coloca em risco a sobrevivência de inúmeras espécies, incluindo o próprio homem, agente desse distúrbio. Assistimos a uma quebra na harmonia do meio ambiente, que reflete a relação distorcida dos indivíduos consigo mesmos, com os outros e com tudo ao seu redor, baseada numa visão reducionista, materialista, que ignora a natureza da vida, suas leis e seus fundamentos vitais. A abordagem materialista tem prevalecido, praticamente, em todas as áreas que envolvem o ser humano, inclusive no sistema educacional. Aprendemos como entrar com sucesso no mercado profissional, mas não nos ensinam como viver em harmonia com a vida (interna e externa). Dessa forma, a maioria vive ignorando algo essencial da nossa existência. Houve uma inversão de valores na sociedade: o que é principal ficou na periferia e o que é periférico foi para o centro. Dessa forma, o ser humano não compreende a si, nem ao outro nem ao ambiente em que nasce, vive e morre. Julga-se dono da Terra, na qual se encontra de passagem, e parece se esquecer de que é apenas hóspede por um curto período de tempo, entre 70 e 80 anos. Deveria ter a obrigação, nesta súbita passagem, de deixar tudo ao seu redor melhor do que quando chegou, facilitando a vinda e a sobrevivência das gerações futuras. Contrariamente, entretanto, dá-se o direito de posse e, como a história tem mostrado, também se permite explorar, oprimir e destruir a natureza, visando tão-somente aos interesses individuais do seu pequeno mundo. De modo geral, não existe a cultura da amizade e do cuidado com a vida na nossa sociedade. Desconhecemos até cuidados simples e básicos com a nossa própria saúde física, mental e espiritual, que poderiam evitar muitos sofrimentos à população, em especial, às camadas mais carentes. Falta o amor que nos dá o devido entendimento para vivermos em equilíbrio e harmonia conosco e com o nosso entorno. Sem amor não há cuidado e as relações humanas, nos mais diversos âmbitos, ficam envenenadas pelo ódio, pela posse, pelo apego, enfim, pela ignorância, o que origina as pequenas e as grandes agressões entre os humanos e para com as demais espécies do planeta. Diante do perigo de mais possíveis catástrofes ambientais previstas pelos cientistas, é fundamental ampliar, em todos os cantos da Terra, o movimento de cura do planeta, com a participação e a união de todos os segmentos da sociedade para a criação e a expansão da cultura da paz e da amizade. As condições para uma vida saudável precisam ser revistas e reorganizadas dentro de uma visão holística, que contemple as várias dimensões da nossa existência. É prioritário olhar para a causa básica do distúrbio climático planetário, ou seja, o comportamento inadequado e destrutivo do homem. A desorganização e o desequilíbrio de milhões de pessoas estão gerando ações que causam um desequilíbrio na atmosfera global. Torna-se emergencial atuar na direção do resgate do estado natural do ser humano: a harmonia. É esse estado de paz interior que nos leva a viver em unidade e equilíbrio com o ambiente externo, quer sejamos habitantes dos países do primeiro ou do terceiro mundo. Parece que esse é um dos grandes desafios das nações: conseguir um compasso entre a expansão econômica, os avanços tecnológicos e a elevação do nível de sensibilidade e consciência dos indivíduos. *BENEDITA ENILDES DE CAMPOS CORRÊA Administradora e Terapeuta Corporal Ayurveda. Prof. de Yoga. Ministra seminários vivenciais a organizações governamentais e privadas. Autora de Vida em Palavras coletânea de crônicas
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