ARTIGO
Sábado, 09 de Janeiro de 2010, 11h:28
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* PAULO ZAVIASKY
Dominus quo vadis
A romaria de tecelões do reino está um tempão estacionada nos degraus da prefeitura aguardando o anúncio oficial de uma possibilidade remota da candidatura do alcaide ao cargo de deputado que já sabemos, está fora do filme Quo vadis. O prefeito daqui teve experiência inédita e elogiável como deputado estadual, foi exemplar secretário municipal na gestão do Dante de Oliveira e, agora, como executivo municipal pisou num tomate no meio do caminho. Nessas férias de final de ano para quem ainda não tem a casca grossa e nem é de ferro, Wilson acordou com uma olheira danada apenas no olho esquerdo. Contou um sonho que teve que havia determinado a paralisação imediata da demolição do Estádio José Fragelli porque espaço é o que não falta por aqui. Além da falta de consideração em demolir o ex-presidente do senado José Fragelli que é considerado um político estadista por aceitar críticas e não olhar para trás. Essa mania cuiabana moderna de destruir bustos, retirar nomes de sacramentos de nossa história, trocar os nomes como fizeram com o Palácio Filinto Müller que mudou para Paschoal Moreira Cabral, hoje morto de vergonha, e sumirem para sempre com o Filinto e, ainda, burlar e afrontar a lei que reza de joelhos que é rigorosamente proibido pisar na grama, jogar lixo na rua, cuspir no chão e colocar nome de gente viva em bens públicos. É mau-agouro aos ainda sobreviventes que se transformaram em lápides burlescas nos famosos apelidos cuiabanos de nossa história, para tais atos ilícitos, como, por exemplo, Pirâmides de Faraós Vivos ou túmulos de gente viva... Foi além no seu sonho, o menino Santos prefeito daqui. Sonhou colorido que desintegrou a Agecopa e mandou construir aquele estádio bonito que foi mostrado pela primeira vez aos povos do mundo e aos idiotas da Fafa, Fefa, Fifa, Fofa, Fufa que foi engabelada pelos índios daqui apenas na farofa do dia da escolha. Por ser mais barato e racional, determinara, em seu sonho, que se construísse o metrô cuiabano nos moldes internacionais. E, foi além, sustou a implantação do bondinho do Pão-De-Açúcar que essa agência divertida, a Agecopa, comprou de um vigarista paulista da Rua 25 de março em SP, por dez mil reais... O bondinho veio acompanhado do Morro da Urca e uma cabine de fazer xixi. Wilson voou em seu sonho. De binóculos, olhou a destruição de Cuiabá e o bagaço em que se encontra e disse: -Este era o meu reino, Chico Galindo. Agora, ninguém mais vai ao Pai senão por Mim. Eclesiástico quatro, versículo nove, parágrafo único da Bíblia Sagrada brasileira, a única no mundo que possui duzentas versões diferentes. Estive com um dos feiticeiros da tribo cuiabana, o ex-presidente da Câmara de Vereadores, Giunchíglio Luiggi Bello, que acaba de retornar de Varsóvia onde foi cursar o último estágio sobre o preparo de caldeirões mágicos, onde a escolha das lagartixas, sapos, besouros, gafanhotos, moscas e salamandras é passo importante no revirado místico que já está em ebulição, cozinhando vários nomes que já viraram mingau. Ele me alertou para o significado esotérico do inchaço no olho esquerdo do Wilson que sonhou que já tinha poderes de governador: -Ele será mesmo candidato ao governo de Mato Grosso. Acrescentou que sua posse será no dia primeiro de janeiro de 2011. Seu primeiro ato será desintegrar as mentiras da copa daqui e publicar seu livro O dia do golpe do judiciário, referindo-se à investidura de um juiz federal no executivo cuiabano à força de ilegalidades, nos cofres, projetos, resoluções, jogo de cintura político e amparado por revólveres na cintura, algemas da PF e grandiosas matérias jornalísticas e publicitárias de um lado só, imitando o golpe de 64, segundo o reconhecimento da própria justiça federal que anulou tudo e transferiu o juiz federal. Nem quis perguntar mais coisa alguma ao feiticeiro da tribo, Luiggi Bello, apenas pensei: Dominus quo vadis? Para onde vais, Senhor? * PAULO ZAVIASKY é jornalista