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ARTIGO
Sexta-feira, 07 de Dezembro de 2007, 19h:19

LICIO ANTONIO MALHEIROS

Dois pesos e uma medida

A Justiça Eleitoral tem sido implacável com as propagandas extemporâneas, e isto é motivo de alegria a toda população cuiabana e mato-grossense, pois todo processo democrático necessariamente passa pela igualdade de oportunidades, sem que haja facilitação ou prevaricação a este ou àquele candidato. Com o surgimento da Justiça Eleitoral através do decreto número 21.076 de 24 de fevereiro de 1932, é instituído nosso primeiro Colégio Eleitoral, o Egrégio Tribunal Eleitoral de Mato Grosso, marco importante para consolidação do processo democrático, conquista importante para toda população que a partir desse momento passou a contar com relevantes trabalhos dessa instituição. Infelizmente, a Justiça Eleitoral fica muitas vezes alijada do processo de fiscalização em função da grande extensão territorial do nosso município, e pela própria exigüidade do número de fiscais, cabendo a nós enquanto população, participarmos de forma decisiva, denunciando qualquer tipo de propaganda eleitoral extemporânea, que muitas vezes esta à nossas vistas e o poder público não faz nada para coibir. O bairro Bela Vista tem sido palanque eleitoral de um certo candidato a candidato ao legislativo municipal, o vereador Lutero Ponce de Arruda. Não tenho nada contra ele, só que o mesmo vem usando de forma exacerbada um espaço visual público, anunciando seu nome em faixas alusivas a jogos, confraternizações, festas beneficentes; o apoiamento é algo importante principalmente à população mais carente, desde que não seja vinculado ao nome de um candidato específico. Concomitantemente já se percebe claramente a utilização de adesivos em carros particulares, uma exposição que caracteriza propaganda extemporânea e, se for permitida, que seja extensiva a todos indistintamente, até para que a população possa estar a par de quem são os novos postulantes a uma vaga ao Legislativo Municipal. O processo democrático é carro chefe do bom andamento da política, que passa necessariamente pela igualdade de oportunidade e deve-se desprezar com veemência o poder aquisitivo, que tem sido mola mestra das desigualdades políticas, uma vez que atrás do dinheiro e poder, nem sempre está um candidato qualificado para ocupar o cargo, e em função disso acaba cerceando o direito de pessoas melhores qualificadas a ocuparem esses cargos. Felizmente nosso país alcançou um estado democrático de direito, que nos permite dizer coisas que antes nem poderiam ser cogitadas, em função da censura e a lei da mordaça, implementada pelo famigerado regime militar, que sufocava e impedia as pessoas de externarem seus pensamentos e atitudes; hoje vivemos uma democracia plena calcada nos parâmetros da liberdade de expressão, conquista de um povo sofrido, que viveu um regime ditatorial imposto goela abaixo pelo regime militar e parte da oligarquia dominante. Pare o mundo que eu quero descer. * LICIO ANTONIO MALHEIROS é geógrafo, pós-graduado em didática do ensino superior e professor [email protected]

Edição EDIÇÃO 16962




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