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ARTIGO
Sexta-feira, 21 de Novembro de 2008, 20h:00

PAULO ZAVIASKY

Dinamites na rodovia de Chapada

Chapada dos Guimarães (MT) tem uma história bonita, apesar dessas tentativas solenes de dinamitá-la. Durante o roteiro de seu progresso recente, mísseis teleguiados são acionados no centro dela. Das históricas invasões que nunca foram resolvidas, construções ilegais, cancelas que proíbem o povo de ver a natureza, governos que fecham o parque sob a égide de “proteção” ao fumacê que prolifera por lá até o abandono de tudo. Quando o governador Garcia Neto tentou implantar o asfalto até lá, surgiram garças, macacos, jacarés e tuiuiús que saíram do pantanal-Brasil e estacionaram no aeroporto “Marechal Rondon” que se chamava “Maria Tereza Goulart”. Começava aí a modernidade cuiabana das mudanças dos nomes de homenageados. Hoje, tira-se o nome de um e coloca-se o de outro... Por causa dessa mania cuiabana, certa vez Rubens de Mendonça foi com um martelo até o centro da Praça da República e retirou o busto de seu pai de lá, guardando-o em seu escritório. O governador Garcia Neto se afastou do governo após levar o famoso drible do Geisel, que dividiu Mato Grosso sem dar satisfação ao povo e muito menos ao Garcia. Como Garcia tentou se candidatar ao senado, aqueles bichos do pantanal fizeram uma oposição danada por aqui, denunciando o asfalto de Chapada onde ninguém podia andar de bicicleta e freá-la rapidamente. O “asfalto” saía todinho e a roda da bicicleta ficava na terra pura de tão fina a camada de piche... Asfalto, nem pensar! E, por cima, denunciaram que era para facilitar a ida até sua chácara que ficava por lá. Garcia pensava no povo e a oposição nele. É claro que não foi Garcia que pintou de preto aquela estrada que inauguraram como se fosse asfalto. Foi uma firma que, se não me engano, tentou fazer a mesma coisa lá na Colômbia ou Venezuela e foi expulsa, com seus diretores todos seqüestrados e presos por lá recentemente. De lá para cá, novela da Globo. Estica, repuxa, alonga sem nunca terminar. Época de eleição? Toma reforma da rodovia “Emanuel Pinheiro da Silva Primo”. E, assim de buraco em buraco, de desastres em desastres, de eleições em eleições, aquela esotérica rodovia já tem quase dois palmos de grossura. Segundo o parapsicólogo Benedito Deuteronômio, nesse ritmo, a rodovia de Chapada terá, no ano de 2035, a altura compactada de catorze metros e vai constituir-se num perigo danado. E, se Wilson Santos continuar prefeito com a medida provisória que vem por aí, esticando o mandato do presidente Lula e de todo mundo até 2020, os anéis rodoviários de Cuiabá ou “perimetrais” como queiram, estarão muito além de Chapada dos Guimarães (MT), pertinho de Campo Verde (MT). Porém, o que acabam de fazer hoje com o povo daqui desta região enorme representa um atentado à segurança nacional. Proibiram todo mundo de beber cerveja. Motivo: “Lei Seca”, aquela mesma dos finais das duas grandes guerras mundiais. Um estardalhaço para punir o comércio livre e capitalista e favorecer o bolsa-família que anda a pé sob a égide da luta pela vida, pois pobre bêbado é lastimável no meio das estradas. Qualquer acidente e o veículo fica sujo, além dos cacos de vidro da garrafa de pinga. Em nome da vida, proibiram a liberdade. Todo mundo concordou até quando surgir outro rei que vai desfazer tudo quanto este edificou. Muito bem. E o que o governo acaba de fazer? Outra metodologia acaba de ser construída para matar mais gente nas rodovias. Em Chapada dos Guimarães (MT) há uma tristeza de dar dó. Graves acidentes começam a aparecer. Aquele filete de piche pintado na estrada que chamam de “Rodovia Deputado Federal Emannuel Pinheiro da Silva Primo” que vai mudar para “Dante de Oliveira”, estreito, sem sinalizações adequadas, sem acostamentos, acaba de ser transformado em “Rodovia dos Imigrantes Espaciais da Morte”. Para substituir, com louros e glórias as cervejas eternas de nossas vidas. Competência é isso. Com bebidas, morriam dez. Com essa rodovia sem um pingo de estrutura, dos atuais caminhoneiros das carretas gigantescas de escoação da soja, tomates, cimento, morrem mil... * PAULO ZAVIASKY é jornalista. Está no “24horasnews” e comenta na Rádio Natureza de Chapada (MT) e emissoras autorizadas

Edição EDIÇÃO 16960




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