A presidente Dilma Roussef nem bem tomou posse e já existem princípios de uma crise entre ela e a população. Trata-se da recriação da famigerada CPMF, conhecida como imposto do cheque, que pode ressuscitar. E com a anuência da nossa presidente. Enquanto ela se cala, governadores e o próprio presidente do Senado não medem palavras nem esforço para a volta triunfal do imposto que lesa todos os brasileiros. As principais vítimas são exatamente os beneficiados com programas sociais como Bolsa-família que terão descontado na fonte o imposto. É um consumo a menos na economia, principalmente nas classes menos abastadas. Se o imposto indireto penaliza mais os pobres, em relação a CPMF, que pode ter a volta triunfal com outro nome, não seria diferente. Os pobres voltam a pagar a conta. O interessante é que dinheiro para a Saúde - ou seria doença? - no Brasil não falta. Ele é mal aplicado. Como explicar então bilhões de reais para a área sem um resultado satisfatório? Dilma precisa vir a público e afirmar com veemência que é contra a recriação do novo imposto. Mais - tem que garantir que vai vetar caso os congressistas tentem recriá-lo. A população não é boba e sabe que se algum deputado ou senador lançar o projeto, sabe que a presidente permitiu. É preciso então, acabar logo com essa idéia - nada de deixar dúvidas. A presidente precisa ser firme nesse momento, assim como foi durante toda a campanha na qual foi vitoriosa. Não pode deixar no ar que os congressistas tem liberdade para a recriação de impostos. Isso é desgaste político. E é tudo que a nova presidente não precisa nesse momento. Desgaste político gera desconfiança. Por isso, a necessidade de ser convincente nesse momento. Mostrando a que veio, Dilma poderá também cortar de vez, alguns políticos que querem somente aparecer aproveitando o bom momento da presidente eleita. Em política, isso é salutar. O que é inconcebível até José Sarney querer aparecer no embalo de Dilma e comentando propostas nada agradáveis como a recriação de um imposto que foi morto e enterrado. Esse é o momento de Dilma mostrar como será a tônica de seu governo. * ADILSON ROSA é repórter