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ARTIGO
Terça-feira, 07 de Junho de 2011, 21h:31

MARIO EUGENIO SATURNO

Deserto mineiro

A aprovação do novo Código Florestal pode ser o primeiro passo para salvar o país do processo de desertificação que está acontecendo e pouca gente tem conhecimento adequado para entender isso. É preciso acabar com o desmatamento ilegal e punir severamente quem destroi nossos recursos naturais. Enquanto isso, de acordo com um estudo encomendado pelo Ministério do Meio Ambiente ao governo mineiro e executado pelo Instituto de Desenvolvimento do Norte e Nordeste, um terço de Minas Gerais virará um deserto em 20 anos, a continuar a agressão ao meio ambiente. Ou seja, além do aquecimento global, desmatamento, monocultura e pecuária intensiva, empobreceram o solo de 142 municípios do Estado. Esse evento impacta um quinto da população mineira, ou 2,2 milhões e está localizado na região norte do Estado e nos vales do Mucuri e do Jequitinhonha. Estima-se que seja necessário investir R$ 1,3 bilhão nas próximas décadas para frear o processo. O Programa de Ação Nacional de Combate à Desertificação terá R$ 6 milhões neste ano para combater a desertificação no país. Como se diz no interior, não da nem para cheiro. Quem observar no mapa, verá que Minas é muito grande e implementar novas reservas naturais de vegetação e a recuperação dos recursos hídricos demanda também profissional qualificado e maciça campanha publicitária, haja vista que é preciso reduzir o espaço destinado ao gado nas áreas de caatinga e restringir atividades como a extração de carvão que prejudicam o meio ambiente. O próprio governo mineiro já investe na construção de barragens, foram construídas 104 barragens desde 2009 e 70 novas estão planejadas até 2012. Paliativos que não resolvem o problema, novamente, é preciso conscientizar e fiscalizar. Certamente a capacidade do governo para fiscalizar e punir está muito longe, haja vista o desmatamento da Amazônia, principalmente através de queimadas, feitas para implantar campos de cultura de soja e para a criação extensiva de gado. Um bem precioso, a madeira de centenas de anos, queimada inutilmente, nem para gerar energia. Um crime imensurável ao patrimônio nacional. O desmatamento acelerado, segundo os cientistas do INPE, causará um grande impacto para o clima de toda a América do Sul, transformando o Centro-Oeste e Sudeste do Brasil em um grande deserto. Isso porque grande parte das chuvas de São Paulo e Brasília é devido à umidade da Amazônia. As árvores retiram água do solo amazônico através de suas raízes de até 18 metros de profundidades e umedecem o ar pela transpiração das folhas. Sem floresta, sem umidade, sem chuvas no Sudeste. Nos meses de março e abril, o sistema DETER do INPE detectou o desmatamento de 593 km2 na Amazônia. Deste total, 480 km2 foram verificados no Mato Grosso. Se a classe política e a mídia não se engajarem, daremos um significado real a “herança maldita”. *MARIO EUGENIO SATURNO é tecnologista sênior do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e professor do Instituto Municipal de Ensino Superior de Catanduva [email protected]

Edição EDIÇÃO 16968




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