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Cuiabá MT, Segunda-feira, 22 de Junho de 2026

ARTIGO
Sábado, 12 de Fevereiro de 2011, 13h:58

EDUARDO GOMES

De sentimento

Carlos Bezerra tem legitimidade para falar sobre questão partidária, pois sempre foi fiel ao seu PMDB ao qual nos cinzentos tempos da quebra de institucionalidade deu - em Mato Grosso - o sopro de vida sob a sigla MDB carinhosamente apelidada “Manda Brasa” pela sabedoria popular. Bezerra apresentou projeto de lei que ora tramita na Câmara dos Deputados pedindo o fim das coligações partidárias nas eleições proporcionais. Essa proposta merece título de “avanço”, porque se aprovada no Congresso botará fim à farra politiqueira nos moldes do aluvião de formigas para travessia de rios, o que descaracteriza os partidos, substituindo-os por estranhas alianças que abrem passagem ao estupro da eleição parlamentar balaio de gatos. Torço pelo sucesso dessa investida. Espero que além dela em breve tenhamos Bezerra à frente de outras lutas por conquistas para o aperfeiçoamento da representação política, a exemplo da instituição do voto distrital misto, da supressão das coligações no primeiro turno das eleições majoritárias, da eliminação da obrigatoriedade do voto, da criação do sistema de financiamento público das campanhas, da proibição de registro de candidatura de quem renunciou a um cargo para disputar outro antes do término da vigência do mandato abdicado e do Legislativo em todas as suas esferas conceder licença a parlamentar para ocupar função no Poder Executivo. Para prosperar o projeto de Bezerra precisa de apoio da voz rouca das ruas, que precisa se despertar da hibernação em que se encontra. Há muito não a ouvimos face ao encolhimento da cidadania causado pela impunidade dos corruptos, pela violência de liminares sem pés nem cabeça, pelo enriquecimento ilícito de tantos poderosos, pelo surgimento das narcoautoridades, pela vala comum em que parcela da população é mantida. Espero que Bezerra costure bem seu projeto na esfera parlamentar e que desperte as ruas por uma cruzada pelo fortalecimento partidário e o aperfeiçoamento democrático, pois somente com essas conquistas poderemos sonhar com o Brasil que queremos e merecemos. O deputado e presidente do PMDB de Mato Grosso deu o primeiro passo. Que não vacile e siga adiante. Que lance mão do jogo de cintura que é marca registrada de sua carreira na vida pública, para motivar as ruas por um novo modelo político sem espaço para conchavos e compadrio. Quero estar entre a multidão em defesa dessa causa liderada por Bezerra, o homem público que sabe interpretar o sentimento do povo. Eduardo Gomes é jornalista [email protected]

Edição EDIÇÃO 16967




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