NA HORA
O jornal de Mato Grosso Facebook Facebook twitter youtube

Cuiabá MT, Segunda-feira, 22 de Junho de 2026

ARTIGO
Segunda-feira, 08 de Setembro de 2008, 19h:55

EDUARDO GOMES

De raios de sol

A Cuiabá política caiu na mesmice nacional. Sua Câmara Municipal é amorfa. Na Assembléia Legislativa, caixa de ressonância dos anseios coletivos, não se ouve mais o contraditório dos bons tempos dos debates por ideais. A prefeitura não consegue implantar as obras necessárias ao desenvolvimento. Há muitos anos não se fala em construção de hospitais, em investimento no sistema viário. A única obra relevante em curso é a Avenida das Torres, que leva as digitais da União, Governo de Mato Grosso, emendas parlamentares e do Município, mas que mesmo assim ‘anda’ em ritmo de tartaruga. O noticiário nos mostra o ciclo de industrialização que beneficia Lucas, Nova Mutum, Sinop, Rondonópolis, Tangará, Primavera. As mesmas páginas que abrem manchetes sobre os avanços no interior estampam a criminalidade em Cuiabá. O que se esconde por trás do contraste entre Capital e interior? Diria que parte dessa violência na área metropolitana tem raízes no desemprego causado pela exclusão da economia cuiabana do processo de industrialização. Também diria que falta liderança política cuiabana para brigar pela terra do marechal Rondon, Dutra, Dom Aquino, Lenine Povoas, Estevão Torquato, Dante de Oliveira, Vicente Vuolo e Bento Lobo, enquanto nas cidades interioranas a classe política com mentalidade empresarial e suprapartidária costura investimentos, promove desenvolvimento e melhora a vida dos cidadãos. O ex-prefeito Roberto França está no ostracismo que nem mesmo a suplência de deputado ameniza, após administrar a cidade por oito anos consecutivos. França colhe politicamente o que semeou na prefeitura. Cuiabá não pode mais se deixar levar pelo bom discurso, o populismo, pela falácia. A Capital tem que correr atrás do tempo perdido. Brigar por indústrias, pela ferrovia. Acompanho a disputa pela prefeitura. Vejo o povo distante da movimentação das campanhas. Entendo que isso reflete o desencanto popular com a classe política, tão enlameada e profissionalizada. Respeito o posicionamento da massa cuiabana, afinal não é fácil ser povo numa cidade em crise por falta de visão administrativa. Mas mesmo assim acredito que a solução para a retomada do crescimento, geração de empregos e execução de obras vitais somente será possível pelo voto consciente que tire Cuiabá do fundo do poço, onde a tal mesmice nacional a jogou e com palavras enganadoras tenta mantê-la por mais um quadriênio, enquanto os raios de sol brilham interior afora. EDUARDO GOMES é jornalista [email protected]

Edição EDIÇÃO 16967




ENQUETE
Você acredita que a Ferrovia Vicente Vuolo vai chegar a Cuiabá?
Sim. Seria uma questão de tempo. E de interesse.
Não. A Rumo já sinalizou que não é uma prioridade
Tanto faz. Em MT, os políticos não ligam para a obra
PARCIAL