Várzea Grande, 2 de novembro de 1998. Aviões decolam com sindidalista e jornalistas para o lançamento da etapa daquele mês de vacinação de bovinos contra a aftosa numa fazenda da Agropecuária Roma (Roberto Marinho) das Organizações Globo, em Cocalinho. Numa das aeronaves viajava o presidente do Conselho Nacional da Pecuária de Corte (CNPC), João Carlos de Souza Meirelles; estava ao lado dele e, no assento frontal, uma colega jornalista da Federação da Agricultura e Pecuária de Roraima. O presidente da Famato, Zeca DÁvila, estava na frente, ao lado do piloto. Quando sobrevoávamos a BR-158, Meirelles puxou conversa com Zeca DÁvila entrando em detalhe sobre a construção daquela rodovia que foi aberta para ligar Nova Xavantina ao império do Vaticano, que atendia pelo nome de fazenda Suiá-Missu. Minha colega se interessou pelo assunto de Meirelles com Zeca e intrigada quis saber como nosso companheiro de viagem sabia tanto sobre a estrada. Bem modesto o presidente do CNPC disse que foi o engenheiro responsável por aquela obra. A menina gostou do que ouviu e estendeu a prosa dizendo que em Caracaraí (RR) havia uma estrada assim e assado. Meirelles a ouviu e ao término fez algumas observações. A colega arrepiou, não é assim; morei lá durante dois anos! retrucou. Eu fiz a planta de Caracarai e abri aquela rodovia!, devolveu o presidente do CNPC. Quando nos aproximávamos do pouso comentei com Meirelles que um historiador cuiabano sustentava que o nome de Matupá, no Nortão, era a junção adaptada das siglas de Mato Grosso, Tocantins e Pará (MA-TU-PÁ). Narrando a fase de construção da cidade da qual assinou a planta, o presidente do CNPC disse-me que certa vez estava na margem do rio Peixoto de Azevedo e viu um barranco cair no leito e flutar rumo a águas maiores. Um índio que o ajudava disse que aquele fenômeno se chamava matupá. Meirelles gostou do nome e o submeteu ao empresário Hermínio Ometto, dono da colonizadora do lugar, que o aprovou. Silval Barbosa é de Matupá e o primeiro governador de uma pequena cidade, não carrega sobrenome nobre e sua carreira política começou há pouco tempo. Para fenômenos naturais há explicação, mas isso nem sempre acontece com os de natureza política. Se comparada com a de outros políticos a trajetória de Silval é fenomenal. Que ele transforme sua ascensão em realização, com os pés no chão, sem se afastar do feijão com arroz que o levou ao poder. É o que espero. Eduardo Gomes é jornalista
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