Antes da hora não é hora; depois, também não; à hora é na hora. Isso é o que nos ensina a pachorrenta sabedoria que nasceu entre brumas e cachoeiras de águas cristalinas nas montanhas mineiras, uai! Por empréstimo tomo a filosofia da terra de Tiradentes, JK, Tancredo, Carlos Drummond de Andrade e nas asas da imaginação a transporto ao calor humano que brota do coração cuiabano no centro geodésico do nosso continente. Com a transposição desembarco entre milhares de chilenos e australianos nas arquibancadas azuis da Arena Pantanal na primeira e única sexta-feira, 13, deste ano. Em campo, uma equipe jovem, com uniforme amarelo, defendendo a seleção da Austrália - a terra dos cangurus. Do outro lado nossos hermanos do Chile, o país andino no sul da América, banhado pelo Pacífico e que não tem fronteira conosco. O resultado daquela partida, válida pela primeira rodada do Grupo B do Mundial da Fifa, é de domínio coletivo nos quatro cantos do planeta: 3 a 1 para os latinos. O jogo Chile e Austrália foi coadjuvante da beleza do espetáculo que é a Arena Pantanal. Alheio ao sofrimento dos torcedores australianos em desvantagem no placar e indiferente ao sorriso de ganhadores dos chilenos senti-me vitorioso pela imponência da arena recém-construída na nossa capital quase tricentenária. O sentimento vitorioso que tomou conta de mim levou-me ao ditado da mineirice abismal: Antes da hora não é.... Com meu rosto anônimo perdido entre a multidão de torcedores contemplava a nossa arena e sentia orgulho no melhor sentido da palavra daquela praça esportiva e de multiuso, que foi construída pela ousadia administrativa do governador Silval Barbosa e entregue em prazo hábil à Fifa para a realização dos jogos da Copa. Ou seja, Silval cumpriu o calendário que garantiu a bola rolando. Depois do jogo vi pela TV imagens soberbas de Cuiabá vestida de noite e enfeitada pela iluminação. Era o casamento do belo par perfeito: a arena e a cidade de todos nós. A beleza de Cuiabá não se desfigura pela falta de conclusão de algumas obras de mobilidade urbana que nasceram com o projeto Copa do Mundo. A parte pendente da construção não tira o quê de sedução nem a mística da terra onde quem come cabeça de pacu fica para sempre. Ela também não fere a sabedoria mineira e, ao contrário, a reforça, porque a hora da conclusão será sempre aquela dentro da capacidade de realização e sem atropelo para fugir de críticas e críticos de plantão. Espero, em breve, ver as obras concluídas e o VLT circulando pioneiro na América Latina. Quando isso acontecer a mesma Cuiabá que ora convive com críticos ferozes do governador verá a cidade que na hora certa Silval tirou do passado e a levou ao amanhã. Eduardo Gomes é jornalista
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