Cuiabá tem uma histórica dívida com a memória de seu filho mais ilustre, o presidente da República marechal Eurico Gaspar Dutra. Essa envolvente cidade quase tricentenária fundada por Moreira Cabral tem um coração imenso com todos, menos com Dutra. Não ando em Cuiabá por ruas ou avenidas Marechal Dutra. Não vejo prédios, viadutos, pontes, conjuntos habitacionais, shoppings, nada com o nome do único presidente cuiabano. Entendo que chegou a hora de rever essa constrangedora situação. Dutra foi legalista e fiel cumpridor da Constituição. Sua visão de estadista foi decisiva para o Brasil promover o Mundial de 1950. São dele as impressões digitais que deram vida ao Maracanã, no Rio de Janeiro, num período em que o presidente mandava e ninguém o questionava. Transcorridos 59 anos da Copa de 1950, é tempo de Cuiabá refletir sobre Dutra e de render ainda que tardiamente homenagem à sua memória dando ao estádio que será construído para o Mundial de 2014, seu nome. O governo Blairo Maggi defende a demolição do Verdão e a construção de novo estádio no mesmo local, mantendo o nome oficial daquela praça esportiva: Estádio Governador José Fragelli. Discordo de ambas as coisas. Demolir o Verdão implica em gasto milionário e em indenizações impensáveis para a realidade orçamentária. Entendo que o ideal seria construir novo estádio, em área mais afastada do centro por exemplo: na BR-364 rumo sul mantendo o velho estádio e denominando o novo de Presidente Dutra. Mesmo que prevaleça a decisão do governo de jogar abaixo o Verdão, defendo o nome de Presidente Dutra para o palco da subsede cuiabana do Mundial de 2014, independentemente de sua localização. O Verdão foi construído pelo governo militar e o então governador José Fragelli simplesmente foi homenageado pelos donos do poder, porque regionalmente fazia o jogo político deles a exemplo do governador de Minas, Magalhães Pinto, que empresta seu nome ao Mineirão. Constrangida e arrependida a alma da cuiabania clama por uma justa homenagem a Dutra, o presidente cuja memória, lamentavelmente, em seu berço natal, é mantida debaixo do tapete. Que a Copa do Pantanal não seja apenas um grande evento esportivo, mas que acima de tudo seja ponto de partida para se reverenciar o único cuiabano presidente da República. Eduardo Gomes é jornalista
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