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Cuiabá MT, Quinta-feira, 11 de Junho de 2026

ARTIGO
Sábado, 27 de Junho de 2009, 13h:08

EDUARDO GOMES

De ímpeto

Alto Araguaia, começo de 1983. Barbudo, bem ao estilo da esquerda da época, com discurso revolucionário, o jovem advogado levou dezenas de posseiros e seus familiares ao delírio ao exigir a regularização fundiária das antigas posses em Ariranha e Gato Preto, onde havia conflitos agrários na luta pela posse da terra. Em outras ocasiões também o vi destemido, senhor da oratória, pregando justiça social, igualdade, direitos e deveres. “O tempo passa, o tempo voa”, como dizia o jingle da Poupança Bamerindus. Durante muitos anos não tive contatos com o jovem advogado que esbravejou em Alto Araguaia. No sábado, 9 de maio, numa praça em Alta Floresta observava o bimotor que pertenceu aos Irmãos Metralhas. Esse avião foi restaurado pelo Ministério Público (MP), que o expõe num patamr no centro da cidade. Coincidentemente o jovem advogado dos posseiros de Alto Araguaia estava lá. Também nos encontramos em Sinop, no dia 6 deste mês. Na sexta-feira, 26, acompanhei a Audiência Pública realizada pela Assembléia Legislativa, em Cuiabá, para debater o Zoneamento Socioeconômico e Ecológico de Mato Grosso (ZSEE). Ouvi atentamente os pronunciamentos das diversas correntes de pensamento ali presentes e a fala das autoridades. O contraditório deixou evidenciado que não será fácil extrair a linha regulamentadora das intervenções humanas no meio ambiente, nesse Estado tão rico de biodiversidade e com sua base econômica calcada na antropização. No encerramento dos trabalhos da Audiência Pública o presidente da Comissão do Zoneamento, deputado Dilceu Dal’Bosco (DEM) concedeu a palavra ao procurador Luiz Alberto Esteves Scaloppe, que acompanha a elaboração do ZSEE representando o MP. Scallope não dourou a pílula. Preparou o espírito de ambientalistas e produtores para a necessidade de se criar um Zoneamento que contemple a produção sem destruir o meio ambiente. Argumentou que os importadores aumentarão as exigências por produtos de origem ecologicamente correta. Reconheceu que é árdua a missão de conduzir a elaboração daquele projeto, e quanto a isso enalteceu Dal’Bosco; o relator, Alexandre César (PT); e o secretário de Planejamento do Governo, Yênes Magalhães. O advogado que vi em Alto Araguaia há 26 anos é Scaloppe. O tempo passou, ele soube conquistar espaços, perdeu a barba, ficou grisalho, mas manteve o ímpeto pelas boas causas, como essa do Zoneamento, que a manifestação coletiva moldada sob a liderança de Dal’Bosco elabora para o Mato Grosso do hoje e amanhã. EDUARDO GOMES é jornalista [email protected]

Edição EDIÇÃO 16960




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