Não se faz justiça pelas mãos dos injustos. Em nome desse postulado entendo que a Câmara Municipal de Cuiabá não tem credibilidade para cassar ou poupar Ralf Leite (PRTB), por suposto crime de quebra de decoro ao ser preso em outro município com um travesti de 17 anos. Quando alguém atenta contra os princípios democráticos seu primeiro alvo é o Legislativo. Observo, que neste artigo, a palavra Câmara, significa a atual e as duas legislaturas anteriores e nunca a figura da instituição, que entre seus componentes contou com figuras honradas a exemplo de Moisés Martins. Não conheço Ralf Leite nem sou golpista contra o Legislativo Cuiabano. Espero sem convicção pelos exemplos práticos que se vê que esse polêmico vereador responda na Justiça pelas acusações secundárias do escândalo com o travesti e pela grave acusação feita por sua ex-namorada, que o denunciou por agressão física, o que significa a aplicação da Lei Maria da Penha para que pague pelo crime perpetrado. Também espero que a Câmara reconheça a situação desconfortável em que se encontra, e que primeiro resolva os vergonhosos escândalos de corrupção interna, para somente depois se arvorar em paladino institucional de conduta sexual externa. Inadmissível sob todos os aspectos que a Câmara permaneça em silêncio tumular diante do mar de lama que atravessa biênios de sua presidência e legislaturas. O ideal seria que os vereadores suspendessem todas as atividades e se concentrassem no canibalismo político no limite do contraditório fundamentado em documentação, provas periciais e testemunhais, em nome da inadiável depuração que se espera. Somente assim a sujeira se desgrudaria da parte escondida do tapete. Fora disso é o que se chama legislatura de compadrio. O circo está montado para a cassação de Ralf Leite na próxima terça-feira. Quando isso ocorrer, os algozes ganharão espaço na mídia como se fossem senhores da verdade. Sem prejuízo das ações judiciais cabíveis contra o réu político do momento, por seus atos fora do plenário, Cuiabá tem que impedir a farsa nurembergueana de uma Câmara que se caracteriza por omissão e conivência no trato do escândalo de seu ex-presidente Lutero Ponce (PMDB), que segundo inquérito da Delegacia Fazendária, desviou em um biênio, R$ 7,5 milhões. O duodécimo da Câmara de Cuiabá é de R$ 2.500 por hora ou de R$ 1,8 bilhão mensal. Essa dinheirama é convite tentador ao inconfessável. Também é chave para se fazer de Ralf Leite boi de piranha pelas mãos de injustos enquanto se espera a volatilização do caso Lutero. EDUARDO GOMES é jornalista
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