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Cuiabá MT, Quinta-feira, 11 de Junho de 2026

ARTIGO
Sexta-feira, 14 de Outubro de 2011, 19h:37

VICENTE VUOLO

Da utopia à realidade (IV)

De acordo com o coordenador da Campanha, historiador Lenine de Campos Póvoas, “a vitória de Vuolo foi muito festejada, pois além de ir para a disputa sem recursos ele teve que brigar contra o poder da máquina administrativa udenista do governo do Estado, que apoiava o professor Aecim”. Vicente Emílio Vuolo nem chegou a tomar posse como prefeito, pois na época uma reforma realizada em uma agência bancária, vizinha à Câmara Municipal de Cuiabá (em frente à Praça Alencastro), abalou as estruturas do local, colocando em risco a tranquilidade da cerimônia. Diante da impossibilidade da posse, o novo prefeito não perdeu tempo. Agendou audiência em São Paulo e Brasília, em busca de recursos para serem aplicados na capital verde. O deputado federal Emanuel Pinheiro o representou na solenidade de posse. Entre os secretários que tomaram posse na administração pública municipal estavam: engenheiro Cássio Veiga de Sá (Viação e Obras), professor Jerci Jacó (Geral), coronel Antero Paes de Barros (Finanças) e Elzio Virgilio Alves Correa (Agricultura). Emílio Vuolo administrou Cuiabá – com pouco mais de 60 mil habitantes em 1962 – num período em que a infraestrutura da cidade era incipiente. Além disso, a capacidade de investimento era limitada, pois a capital só dispunha das fontes de recursos próprios. Não recebia ajuda federal. Apesar de todas as dificuldades, o prefeito Vuolo governou a cidade com visão de futuro, iniciando um processo de modernização, através da melhoria da infraestrutura. Na sua viagem para São Paulo, Vuolo e Edgar foram muito bem recebidos pelo governador Ademar de Barros. No encontro foi conquistado o primeiro carro de Corpo de Bombeiros para Cuiabá. Vuolo justificou o pedido, pois aconteceu um grande incêndio na cidade poucos meses antes da eleição e a prefeitura não dispunha de equipamentos adequados para combater o fogo. Sensibilizado com a situação, o governador Ademar de Barros fez a doação. Assim nasceu o Corpo de Bombeiros de nossa terra. Esse primeiro carro ainda existe, e foi carinhosamente chamado pelos bombeiros de “BIG JOB”. De São Paulo, o prefeito e o vice foram para Brasília, onde já estava marcada uma audiência com o presidente João Goulart. Durante a reunião, Vuolo apresentou um Plano de Desenvolvimento para Cuiabá se recuperar do atraso e isolamento a que ficou submetida por mais de 200 anos, em decorrência do fim do ciclo do ouro. Dentre as propostas apresentadas, foi entregue ao presidente Jango cópia do projeto idealizado pelo engenheiro Cássio Veiga de Sá, que transformava o terreno do antigo Campo D’Ourique (hoje está localizada a Câmara Municipal de Cuiabá) em uma Praça de Fórum das Bandeiras, onde seriam hasteadas bandeiras de todos os países da América do Sul. O local era estratégico, por ser o Centro Geodésico da América do Sul. A preocupação de Vuolo era a de consolidar definitivamente Cuiabá como eterna capital dos mato-grossenses. Havia um desejo dos campo-grandenses em transferir a capital para o sul do Estado. Segundo Edgar Sardi, “o presidente João Goulart ficou encantado com o projeto e determinou que o ministro da Fazenda Walter Moreira Salles analisasse a possibilidade de destinar recursos para executá-lo”. Como o ministro da Fazenda participava de um compromisso no Rio de Janeiro, Jango colocou o avião presidencial à disposição de Vuolo para que pudesse encontrá-lo no Rio. Vuolo aceitou a gentileza e recebeu de Moreira Salles uma sinalização positiva do envio do recurso. Porém, as mudanças repentinas no cenário político brasileiro impediram que o dinheiro fosse repassado para Cuiabá. Jango foi deposto pelo golpe militar, não podendo honrar o compromisso assumido com o prefeito Vicente Emílio Vuolo... *VICENTE VUOLO é economista formado pela UnB e analista legislativo do Senado Federal [email protected]

Edição EDIÇÃO 16960




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