ARTIGO
Sexta-feira, 05 de Junho de 2009, 21h:15
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TÂNIA NARA MELO
Cultivando paz
Este mês, mais precisamente no dia 30, completam-se sete anos da passagem de Chico Xavier. Um homem que sempre foi um exemplo de vida, sempre pronto a estender e acolher aqueles que lhe pediam ajuda. Um cidadão completamente desapegado das coisas materiais, exemplo de uma vida de fé, de confiança, de renúncia, de doação, de caridade e de disciplina. Foi no início da noite do dia 30 de junho de 2002 que, depois de 92 anos de dedicação ao próximo, partiu Francisco Cândido Xavier, mais conhecido por todos nós como o médium Chico Xavier. Admirado e amado por muitos, criticado por outros talvez por não entenderem seu desapego às coisas materiais, ou por não concordarem com sua doutrina Chico Xavier com certeza será sempre lembrado por sua trajetória marcada por provações, sempre recebidas por ele com serenidade, e também por sua sinceridade perante ao próximo, inclusive de outros líderes religiosos; seu despojamento dos bens materiais, com a entrega dos direitos autorais de todas as suas obras à instituições beneficentes, e ainda pela maneira paciente e carinhosa com que sempre atendeu a todos os que buscavam sua ajuda espiritual, indiferente de raça, credo ou posição social. Aliás, o amor a humanidade sempre foi um de seus traços mais marcantes. Assim como Ghandi ele sempre cultivou a paz. Mas a paz parece estar se distanciando cada vez mais dos homens. A ganância, o desamor e a intolerância são práticas que podem levar a humanidade ao caos. O nível de violência a que chegamos é mais do que assustador, é aterrorizante. A vida, hoje, às vezes parece não valer um vintém sequer. Talvez por isso, homens como Chico Xavier, em quais aqueles que estão no poder deveriam se espelhar, nos façam tanta falta. Com tudo que temos assistido nos noticiários nos últimos tempos fica difícil imaginar tais figuras seguindo o gesto de Chico, ao receber de um empresário como presente um carro novinho em folha. Simplesmente trocou-o por mantimentos para alimentar as pessoas carentes, o que para ele foi um negócio muito lucrativo, pois como bem disse um de seus muitos admiradores: trocou um bem transitório, que as traças consomem e os ladrões roubam, pelo ouro inoxidável da caridade, que nem as traças roem e nem os ladrões roubam. Ah! Se os poderosos conseguissem alcançar ao menos uma pequena parte desse pensamento... quantas coisas poderiam ser diferentes. Mas o que nos consola é que mesmo com a indiferença de tantos, toda a luta e generosidade de Chico Xavier não há de ter sido em vão. Ele com certeza fez escola e outros estão dando continuidade a sua obra, fazendo com que a semente da paz possa germinar nos mais diferentes pontos. E isso, independente de credo religioso, porque a paz traduz justamente esse respeito pelas diferenças, respeito pela liberdade e pelas idéias dos outros. Hoje, mais do que nunca precisamos de paz e respeito à vida. TÂNIA NARA MELO é jornalista