Sei que existem várias e várias coisas para nos preocuparmos. Algumas que sempre tivemos e outras que sequer imaginávamos. Imagine que, agora, temos terremotos, infanticídios, Congresso querendo acabar com a moralização da relação entre o parlamentar e o partido e, até, aumento da taxa básica de juros. Todavia, não ando querendo falar deste ou daquele assunto relevante e essencial para os destinos do país; antes, gostaria de falar (como diria Bandeira) das coisas mais simples e menos intencionais. Talvez, aquele olhar que ficou suspenso no ar como se pedisse palavras que nunca tivemos coragem de pronunciá-las... (desejo morrendo aos poucos...), ou o jeito inconfundível de um garoto apenas de calção e bambolê e um maço de figurinhas na mão à espera de outros meninos para iniciarem a perigosa e cruenta batalha do Bafo ou talvez, quem saiba, relembrar os doces dias da adolescência, em que, aos domingos, esperávamos, ansiosos, rever nossas musas e quase namoradas, ainda que de relance ou roubando-lhes um simples oi que nos assanhasse a imaginação. Como é difícil estabelecer o que é prioridade, importante ou essencial. São inúmeros fatores e situações influenciando nossa decisão. Veja, por exemplo, a difícil lida de escrever em um determinado dia da semana. Chega o fatídico dia e você ... nada. O assunto não brota, a inspiração some e você fica parecendo um tolo em frente ao monitor do computador. Mas deixemos de lado a metalinguagem e falemos de algo vital para os cuiabanos: o Mixto Esporte Clube. Prestem atenção, sou dombosquino (grafado desta forma por força de lei; entretanto, há controvérsias) de nascença; porém, todo aquele que ama o futebol não pode ficar alheio ao que está prestes a acontecer. Sou do tempo em que nosso futebol lotava o Dutrinha. Craques e mais craques bailavam naquela arena da deusa redonda. Meus olhos jamais se cansaram de ver Adilson, Barga, Adalberto, Ruíter, Glauco, Mão de Onça, Saldanha, Odenir, Mosca e o inesquecível Bife (Se eu continuasse citando nomes de craques, com certeza faltaria espaço, perdão por não os citar, mas saibam que, apesar do tempo, ainda os vejo acariciando a bola como a uma criança). Mas você dizia que o Mixto corre perigo, por que? Por esses dias, Carlos Orione, o eterno presidente da Federação Mato-grossense de Futebol, escolherá o segundo representante do Estado para a série C do Campeonato Brasileiro. Como já disse, não sou torcedor mixtense, mas é preciso ser justo. O União de Rondonópolis também quer a vaga. Oh vermelhinho, dá um tempo, primeiro é preciso ganhar pelo menos um campeonato estadual, não vamos queimar etapas... Sei que a turma da Boca Suja está de olho no Orione; então, seu moço, não venha com sem-graceira. Quando o Dom Bosco era o Dom Bosco com todas as letras e com toda a bola, eu adorava ganhar do Mixto, era melhor ganhar do Mixto do que de qualquer grande time do Brasil; mas nem por isso penso que a segunda vaga da série C possa ser de outro time que não o Tigre da Vargas. Então, Orione, deixe de chorumelas, não vá cair no canto da sereia, ou melhor, da soja. A maior torcida do Estado merece respeito, tenha muito critério nessa escolha ou você vai acabar de bombachas e tomando chimarrão, tchê! Quando você, meu leitor, estiver lendo este amontoado de palavras, o Tigre e o Vermelhinho já terão se enfrentado, vinte e dois guerreiros terão dado tudo de si em busca da vitória; o resultado? Pouco importa quem será o líder do campeonato. O importante é que se respeite a história do Mixto, sua torcida e, sobretudo, Cuiabá. Os amantes do futebol, independentemente da camisa, querem ver o Tigre da Vargas na série C. * SÉRGIO CINTRA é professor em Cuiabá e Várzea Grande
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