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Cuiabá MT, Quinta-feira, 11 de Junho de 2026

ARTIGO
Segunda-feira, 08 de Setembro de 2008, 19h:55

ONOFRE RIBEIRO

Cuidado com a linguagem!

Ilusão pensar que a eleição de prefeito em Cuiabá se ganhe fora da mídia, da linguagem e do discurso dos candidatos massificados pela comunicação. Seja pela linguagem visual em cartazes, painéis, faixas, santinhos e, por fim, o programa eleitoral gratuito no rádio e na televisão. Mas há que se fazer duas distinções. Linguagem é uma coisa, e discurso é outra. Linguagem é a apresentação visual e conceitual do candidato. Discurso é o seu conteúdo programático com o qual pretende convencer os eleitores de que será um bom prefeito se eleito. Claro que o discurso depende totalmente da boa linguagem. Essa introdução serve para dar uma panorâmica no discurso e na linguagem dos candidatos a prefeito em Cuiabá nesta eleição. O candidato Walter Rabello começou muito bem, com uma linguagem fácil e comunicativa, dirigida a um público específico, reconhecidamente formado pelas classes C, D e E, o mesmo a quem ele se dirigia quando apresentava programa na televisão. Lá ele distribuía cadeiras de roda, mandava recados, brigava no ar com gente da prefeitura, etc. Nos fins de semana cantava em shows populares nos bairros e mantinha-se vivo na mídia eletrônica e na sua própria mídia pessoal como cantor. O seu programa eleitoral começou muito bem, mas depois os marqueteiros tiraram-no do seu ambiente e tentaram fazer dele um executivo. Com isso, ele mudou a linguagem, passou a falar de coisas que não entende, a ler textos com dificuldade, etc. Acabou sendo o candidato dos marqueteiros e deixou o seu público sem candidato. Daí para cair nas pesquisas foi um pulo. Já o candidato Mauro Mendes se comunica muito melhor do que está se comunicando no vídeo e no rádio. Está falando numa linguagem que não é a sua, embora transmita facilmente credibilidade e conhecimento do discurso que prega. Parece que ele também acabou vítima dos marqueteiros que sonham com um discurso ideal que na prática não existe. A essa altura da campanha, está passando da hora de Mauro Mendes chutar o balde e falar como ele próprio é. Tem bom discurso e tem linguagem. O prefeito Wilson Santos está na posição mais confortável. Sabe lidar com a linguagem e definiu bem que o seu discurso pode ser tanto a prestação de contas, como a ampliação daquilo que foram as realizações de sua administração que se encerra. Wilson nunca obedeceu muito aos marqueteiros. Pega a linha central do discurso e dá-lhe uma forma pessoal na sua comunicação com eleitores. É dono de uma memória de número e de nomes extraordinária. Tem errado e tem acertado na sua desobediência aos marqueteiros. Hoje é quem melhor tem navegado na linguagem no programa eleitoral gratuito. Por isso, cresce nas pesquisas. Os dois outros candidatos não encontraram linguagem. O procurador Mauro tem um discurso claro de ruptura com a tradição política tradicional. Mas não chega a empolgar, assim como o deputado federal Valtenir Pereira. Nesta reta final, faltando menos de um mês para a eleição, os candidatos precisam avaliar melhor a orientação dos seus marqueteiros e olhar mais para a reação das ruas e dos eleitores. A verdadeira linguagem está nas ruas e não nos estúdios de produção. * ONOFRE RIBEIRO é articulista deste jornal e das revistas RDM e Centro-Oeste [email protected]

Edição EDIÇÃO 16961




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