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ARTIGO
Sexta-feira, 13 de Abril de 2012, 21h:51

PAULO ZAVIASKY

Cuiabano não gosta de cuiabano (2)

Certa vez, escrevi que a capital de Mato Grosso é um conto de fadas de enorme gostosura. Só tem um defeito que é o de evitar seus próprios conterrâneos. Talvez, por estar de bem com a vida e ser agradecido a Deus pelas dádivas divinas dessa bela natureza que nos rodeia. Alertei que tal paz exagerada de nossos espíritos poderia cair em mãos de experientes aventureiros e que não estaríamos preparados para tal combate das firulas do mal cujo resultado seria um só: o fim de nossa paz antiga. De donos das fazendas nos transformaríamos, sem perceber, em varredores dos chiqueiros de novos donos. Mas, pra que fui falar isso. Foi um deus-nos-acuda com enorme enxame de abelhas africanas dentro de minha caixa postal. Cada ferroada, que Deus me livre. Aprendi dezenove nomes feios novos. Faz um tempão que a capital de Mato Grosso é um balaio de gatos onde ninguém é de ninguém, palco de escândalos maravilhosos, tapas e beijos de vereadores, prefeito bom, simpático, todo mundo o adora... Porém, adquiriu apenas um mau costume que é o de falar mal de todos os outros prefeitos que, a exemplo de todos os políticos do mundo que conheço, vivem prometendo somente tudo ao povo. O atual alcaide cuiabano, não. Não gosta de transparência. Contudo, tem mais: e aqui, hoje, posso confirmar tudo aquilo que já disse há mais de trezentos anos. Não admitem cães e cuiabanos nos poderes. Cuiabá está empurrada no canto da história sem reação alguma de parte dos brios desta nossa raça que segurou as pontas das fronteiras da América do Sul, como farol de heróis combatentes em que fomos vitoriosos até em guerras que o Brasil nem sabe. Estão certos os cuiabanos que pensam que há lugar para todos nesta terra em que se plantando, tudo dá. E, como dão! Porém, sem usurparem o pão nosso de cada dia e sem ficarem com essas botas pisando no calo do dedão do pé esquerdo da gente. Há lugar para todos. Inclusive para os cuiabanos. Recordo-me do cuiabano governador Ponce, que trouxe centenas de professorinhas cariocas para cá e demitiu as ranzinzas, velhas, competentes e sábias cuiabanas. Nossas escolas entupiram de alunos. As professorinhas cariocas usavam microvestidos que eram divinos quando se abaixavam apagando o quadro numa época em que ver apenas o pé sem meia de uma moça levava os meninos correndo ao banheiro para se envolverem em sonhos eróticos. Pena que eram burras! Outro cuiabano, governador Fernando Corrêa da Costa, só nasceu aqui e após formar-se em Medicina só morou e morreu em Campo Grande (MS). Entupiu a capital de gente da cidade morena, também gostosa, gente nossa naquele tempo. Garcia e Frederico, por serem delegados de Brasília, foram obrigados a engolir forasteiros indicados dos quartéis de 64. Agora o show mesmo foi de Julinho e Jayme, que chegaram a falar que não admitiam cuiabanos em seus governos porque nós conhecemos os nossos rabos e isso atrapalharia o roteiro da liberdade que tanto querem os políticos. Carlos Bezerra, também cuiabano de Chapada dos Guimarães (MT), foi eleito por Rondonópolis (MT), onde foi prefeito. Portanto, nem precisamos explicar. Dante de Oliveira possui um alto índice de rejeição em Cuiabá, sua terra natal, não pelos desgastes do governo e da prefeitura, tirando seus guris colegas daqui, mas, sim, pelo enorme contingente de alienígenas que formavam sua guarda de honra que impediu seus amigos cuiabanos de chegarem perto dele. Com Dante, Cuiabá começou a se transformar nisso aí que todos estamos vendo. É só pegar a lista dos nomeados e dos que estão bem de vida e todo mundo notará a falta de um só cuiabano que se deu bem com o amigão, colega, boa gente, conterrâneo, amor de menino, gente nossa e que foi o continuador da série “Cuiabano não gosta de cuiabano quando assume algum poder”. Motivo: conhecíamos, como diziam os Campos, de Várzea Grande (MT), os rabos dele. E ele conhecia os nossos. Com essa esgrima de espadas reluzentes tilintando nos céus de Cuiabá, ficamos na esquina do tempo, alijados dos poderes e como engraxates das botas dos novos donos de Cuiabá e de nossa política... Até que os novos cuiabaninhos que já surgem retomem as rédeas dessa besteirada de herança que deixamos para eles por nossa incompetência política. * PAULO ZAVIASKY é jornalista [email protected]

Edição EDIÇÃO 16960




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Tanto faz. Em MT, os políticos não ligam para a obra
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