ARTIGO
Terça-feira, 03 de Fevereiro de 2009, 21h:47
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WILSON SANTOS
Cuiabá, a Copa e o Pantanal
Durante centenas de anos os cuiabanos foram discriminados e zombados por serem pantaneiros. Pantaneiro era sinônimo de atraso, de isolamento, de portador de cultura simplória, matuto mesmo. O matuto pouco fala, só assunta e muito vê, pois, sua paciência é como pau de goiabeira, assim não perde fácil a estribeira e deixa o tempo correr, até rimou. Hoje, o Turismo e o Meio Ambiente viraram prioridades da Agenda Mundial de Desenvolvimento Sustentável, por isso não nos causou surpresa a decisão da FIFA de escolher a Amazônia e o Pantanal como duas das doze sedes da Copa 2014. E as justificativas para tal são desnecessárias, mas não é por acaso que Cuiabá dos pantaneiros está nos sites do mundo inteiro. É a essência chô mano, o cuiabano foi criado com tutano e pó de guaraná, é valente e quando toma uma, vira três ou quatro sarto mortá. Usei esses termos para ressaltar a pureza da alma do nosso povo que encanta por ser ele mesmo, é feliz do seu jeito simples. Atender bem aqui quem chega, é como matar a própria sede, é uma necessidade orgânica que transcende o sentido da palavra hospitaleiro, é um hábito divino que o mundo ainda vai aprender, é a chamada cultura da paz, por isso, não me surpreendo por a Copa ser aqui. É uma colheita do que plantamos como seres humanos, e até mesmo como políticos, pois, o cuiabano Eurico Gaspar Dutra, foi quem, como Presidente da Republica em 1950, viabilizou a primeira Copa do Mundo aqui no Brasil. A Copa de 2014 representa muita prosperidade para nossa cidade, realizações extraordinárias na infraestrutura e divulgação sem precedentes das nossas belezas. Hoje muitos dizem ser dono do Pantanal, mas o território alagado não basta, é preciso que pulse no peito o coração e a alma de um matuto pantaneiro. * WILSON SANTOS é professor de história e Prefeito de Cuiabá