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ARTIGO
Quinta-feira, 22 de Agosto de 2013, 21h:19

ROSIVALDO SENNA

Crimes modernos

A capital de todos os mato-grossenses continua violenta. Muito acolhedora, mas violenta. O pânico já é visível em alguns bairros, notadamente os tidos como periféricos. E este estado de “impotência” não é nenhuma novidade. Já faz algum tempo que esta mesma sensação de vulnerabilidade vem sendo sentida pela população. As polícias (civil e militar) até que têm atuado. Modernizaram-se, estão trabalhando com o tal “serviço de inteligência” (?) e outros artifícios, levando-se sempre em conta a estratégia policial. Tudo estaria perfeitamente em ordem não fosse a esperteza do marginal. O outro lado também não ficou parado. Entrou de cabeça na era cibernética com tamanha maestria, que hoje pratica crimes sofisticados, via celular, computador e até com anúncios na mídia. Eles também evoluíram. Estão cada vez mais astutos e, até de caras limpas, enfrentam o sistema de segurança e, convenhamos, com algumas vitórias. E como em qualquer segmento, se adapta ao momento. Estão sempre na moda. Tem época em que a tendência é para os assaltos-relâmpagos. Outra, a saidinha de banco. Outra, o golpe pelo celular, e assim por diante... E toda essa violência vem relevando mais uma tendência. A dos crimes entre famílias, amigos e até por uma irritação no trânsito. Vira e mexe, alguém atira ou esfaqueia o outro por questões banais. É chefe de família fazendo esposa ou filhos, ou ambos, de reféns. É a polícia espancando gente. Ou seja, a questão é muito mais grave do que se possa imaginar. E é aí que entra a parte científica da polícia e do governo, de uma forma geral, para apurar o que de fato está acontecendo. A reflexão tem que ser muito mais profunda. Não se trata apenas de um caso de polícia. Não basta alimentar bem o policial, adquirir armas letais e não-letais, adquirir mais viaturas ou deixá-lo [o policial] como um verdadeiro ciborg. A questão é também, ou principalmente, educacional. Cadê os estudos sobre o comportamento humano? Por que será que um pai toma a família como refém e ainda cola uma faca no pescoço do filho? Por que os desentendimentos em bares ou vias públicas, na maioria das vezes entre amigos, também aumentou? Tais problemas não devem recair apenas nas costas da polícia e sim em todos os segmentos sociais. Estudos e levantamentos sobre estes questionamentos ajudariam em muito a combater vários tipos de crimes. E temos certeza de que Cuiabá abriga pessoas competentes para este serviço. Vamos usar mais as nossas universidades. Muitas pesquisas feitas por elas não são utilizadas. Ou por descaso, ou falta de conhecimento das autoridades. Prevenir é melhor que remediar! ROSIVALDO SENNA é jornalista em Cuiabá [email protected]

Edição EDIÇÃO 16961




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