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Cuiabá MT, Quinta-feira, 11 de Junho de 2026

ARTIGO
Sábado, 14 de Junho de 2014, 15h:20

RENATO DE PAIVA PEREIRA

Crença e desenvolvimento

Diz o Google que os cinco países com maior número de ateus no mundo são: Suécia, Dinamarca, Noruega, República Tcheca e Finlândia, com percentuais que vão de 60% a 85% da população. A mesma fonte informa que os cinco países com menor índice de corrupção no planeta são: Dinamarca, Nova Zelândia, Finlândia, Suécia e Noruega. Será coincidência que dos cinco mais descrentes, quatro sejam os mais incorruptíveis e aparecem sempre entre os campeões de desenvolvimento? Não dá para afirmar que a religião leva à estagnação e corrupção, mas certamente pelas estatísticas, elas não ajudam a combatê-las. Basta ver que os países com maior população cristã México, Peru, Colômbia, Brasil e Argentina, onde 85% a 95% da população professam essa crença, aparecem muito mal no ranking da corrupção mundial. A nota média dos cinco países do primeiro parágrafo (baixa corrupção) é 89,2 (zero a cem: maior nota, menos corrupção). A média percentual dos que acreditam em alguma divindade nesses lugares é de 33,6%, ou 1/3 da população. Na outra ponta, os do segundo grupo, a nota média da corrupção é de 33,4 e a porcentagem dos que creem sobe para 91%. Há uma inversão quase perfeita entre crença/corrupção e desenvolvimento/ética. Esses exemplos sugerem que as crenças decrescem à medida do aumento da prosperidade e conhecimento. Ou, quem sabe, indiquem que diminuindo as crenças aumentam a riqueza e conhecimento. Uma possível razão é que em vez de esperar milagres as pessoas passem a gerir o próprio destino. No Brasil a fé está aumentando e junto com ela a corrupção, principalmente nos extratos mais desorganizados da sociedade. Já trouxeram o Deus cristão para o dia a dia das suas crenças mesquinhas. Banalizaram o divino. Agora ele está ali no meio deles, presenteando um com um carro velho, outro com uma moto ou um lugar no “Minha casa, minha vida”. Também está à disposição para curar um calo, joanete, “defluxo” ou qualquer pequeno incômodo que possa aparecer. E aí satisfeitos, escrevem os carros: “presente de Deus” “Foi Jesus que me deu” “Propriedade de Jesus Cristo” e dão testemunho nas igrejas dizendo-se curados de uma diarreia, na semana passada. Passando pelas ruas e pelos carros de luxo não notam, que se Deus age como creem, satisfazendo as necessidades financeiras imediatas, está cometendo uma grande injustiça com os pobres dando um presentinho tão merreca pra eles e um tão caro para os ricos. Pior, estes não estão nem aí pro presente, não escrevem agradecimentos no vidro e mesmo assim todo ano recebem um novo. Quando os líderes religiosos perderam seu prestígio, abrindo espaço para o povo crescer, haverá uma esperança de aumento do conhecimento e junto com ele a ética e prosperidade. Nessa hora muitos continuarão a crer, o que não é nenhum problema, mas por certo deixarão de clamar por um uno velho ou pedir a cura de um esporão no calcanhar. * RENATO DE PAIVA PEREIRA, empresário e escritor [email protected]

Edição EDIÇÃO 16961




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