ARTIGO
Terça-feira, 29 de Dezembro de 2009, 23h:28
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JEAN CAMPOS
CPI da autopromoção
Em tempos de proliferação das Comissões Parlamentares de Inquérito (CPIs), quero propor uma nova investigação: a CPI da autopromoção. Embora não seja parlamentar, tampouco tenha pretensões de pleitear o cargo, sou um cidadão de direito. Portanto, a idéia já nasce com legitimidade. A proposta é simples: investigar políticos que, travestidos de paladinos da moralidade, salvadores da humanidade, ou as duas opções anteriores, armam verdadeiras arenas circenses no Poder Legislativo. Quando o assunto chega à mesa do bar, como chegou, é sinal que o espetáculo se popularizou. Definitivamente, o ano de 2009 foi marcado pelas CPIs. A primeira das Comissões, a da Saúde, teve início após impasse salarial entre classe médica e prefeitura de Cuiabá, que há anos vinha se arrastando. Médicos entraram em greve; município e Governo do Estado se reuniram com Sindimed; CRM também participou das negociações; Ministério Público e Tribunal de Justiça foram outros envolvidos. Depois de mais de 60 dias, o impasse foi resolvido. Em meio ao caos, a Assembléia Legislativa instalou a CPI da Saúde, que hoje investiga a situação do setor em todo Estado. Me lembro que, antes de sua implantação, alguns deputados pacificadores instituíram uma comissão que faria reuniões freqüentes entre a classe médica e poder público. Chegaram a nomear como presidente de honra o ex-reitor da UFMT Gabriel Novis Neves, do qual tenho grande admiração. Nunca vi, sequer, uma reunião. Poucos meses depois, veio o fiasco do denominado maior concurso público do Brasil. Com as provas anuladas por conta de falhas na organização, elaboração e logística da instituição responsável pelo certame, a Universidade Estadual de Mato Grosso (Unemat), uma nova investigação foi proposta. A CPI da Unemat, que ainda não decolou, deve começar os trabalhos somente no ano que vem. Depois dessas, já despontam para o próximo ano a CPI da Ager, CPI dos Incentivos Fiscais, CPI das Agências de Publicidade e, também, a CPI da autopromoção. Felizmente para alguns e, infelizmente para outros, o regimento interno da Assembleia Legislativa permite que apenas três CPIs funcionem concomitantemente. O fato pode gerar briga no ano que vem. E não é porque 2010 é o ano em que políticos estarão mais atuantes e, sim, pelo óbvio. 2010 é ano eleitoral. É justamente por esse motivo que coloquei a minha proposta na pauta. Gostaria de saber, com profundidade - termo popular entre os adeptos das CPIs qual deputado estará propondo uma investigação, única e exclusivamente, em defesa dos interesses da população, da qual representam. E mais, qual dos deputados envolvidos nessas comissões são candidatos à reeleição. Só espero ver minhas expectativas superadas - que são as menores possíveis - em relação a esse instrumento, no mínimo, duvidoso de promoção da democracia. JEAN CAMPOS é repórter