ARTIGO
Terça-feira, 13 de Maio de 2008, 20h:44
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JOANICE DE DEUS
Cotas ou mais qualidade?
Há algumas semanas, o sistema de cotas para ingresso de negros nas universidades públicas é assunto nos noticiários nacionais. Um dos motivos é o fato do tema aguardar julgamento do Supremo Tribunal Federal (STF), que irá se pronunciar sobre a validade ou não da política do Governo Federal. Outro motivo foi à declaração de um professor universitário que atribuiu à reprovação do curso de Medicina da Universidade Federal da Bahia, no Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes (Enade), ao baixo QI daquele povo. O comentário foi alvo de críticas e fez o docente pedir exoneração do cargo que ocupava. Não seria diferente, ele fez a classe média e alta daquele Estado sentir-se agredida, ofendida. Não é novidade para ninguém que a maioria dos estudantes de Medicina não estudou em uma escola pública, a menos que tenha passado anos e anos em uma sala de curso pré-vestibular. Por trás do comentário, no entanto, estão às cotas para os afro-descendentes. Em Mato Grosso, a Universidade Estadual (Unemat) é a única que até o momento adotou o sistema e reserva 25% do total das vagas a estudantes auto-declarados negros e pardos. O percentual é um dos maiores do país. Na Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), maior instituição pública de ensino do Estado, o assunto apenas chegou a ser discutido. Aliás, o curso de Medicina da UFMT ficou entre as seis faculdades das 103 existentes no país que obtiveram nota máxima no Enade. O curso tirou nota 5. Não sou contra as cotas, mas não precisaríamos delas se tivéssemos uma educação básica de qualidade que garantisse a todos, independentemente da cor, raça ou classe social, acesso ao ensino superior gratuito, proporcionando condições iguais a negros e índios de se tornarem médicos, advogados, dentistas ou qualquer outro tipo de profissional bem pago e bem sucedido. Fico feliz, por exemplo, em ver um ator negro, como Lázaros Ramos, ser considerado galã de uma das mais importantes redes de televisão do País. Também não é novidade para ninguém que o Brasil investe pouco em educação. Outubro está próximo. Novamente iremos às urnas eleger quem irá administrar por mais quatro anos as prefeituras municipais. São os prefeitos e vereadores que tomam decisões acerca dos problemas mais ligados à vida de cada um de nós: coleta de lixo, iluminação, saúde e educação básica. Pense nisso! JOANICE DE DEUS é jornalista