ARTIGO
Sexta-feira, 12 de Dezembro de 2014, 20h:35
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MARIO EUGENIO SATURNO
Corrupção e financiamento de campanha
Por causa da influência do capital junto aos políticos, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e outras associações lutam para aprovar um projeto de lei que proíba o financiamento privado de campanhas. Porém, estão fazendo um grande mal ao Brasil. Proibir doações de empresas é favorecer as doações ilegais... Como? Sim, as empresas continuarão a doar, mas ninguém saberá. De que forma? Simples, a empresa dá um milhão e o partido fornece uma lista de mil simpatizantes dizendo que doaram mil reais! Essa prática é mais comum do que se imagina. Claro que a OAB e CNBB são inocentes demais para conhecer as artimanhas do capeta! É claro que os brasileiros estão horrorizados com os valores e a quantidade de envolvidos na corrupção da Petrobras e com a certeza de que essa praga está alastrada por todas as estatais e todos os órgãos do governo federal. Nunca antes este país viu tanta corrupção e tanto dinheiro roubado e desperdiçado. É verdade que já passamos por situação semelhante, não na época do FHC, nem na época do Collor, nem do Sarney... A Ditadura Militar escandalizava os brasileiros não necessariamente pela corrupção, mas porque as estatais eram cabidões de empregos para militares reformados... Tanto que quando começaram a privatizar as estatais, poucos brasileiros protestaram, a maioria aplaudiu de pé. Se o presidente Itamar fez um favor à nação e à própria Embraer quando a privatizou, o presidente Lula fez o oposto quando criou a TV Brasil, um novo exemplo de cabide de empregos e um grande fiasco de público e ibope, mesmo tendo um orçamento estimado em mais de meio bilhão de reais anuais, que é três vezes o da TV Cultura. O PT conseguiu destruir a simpatia que os brasileiros tinham com as estatais restantes. Defendiam tanto a Petrobras apenas para vermos esse assalto e com muita sede... E foi tanta a sede que derrubaram o pote. E se no ano passado o ministro do STF, Joaquim Barbosa, foi o herói, neste ano, outro juiz cumpriu essa missão e mandou prender corruptos e corruptores, repetiu o recado à nação, que ainda há homens que não se intimidam e defendem esta nação republicanamente. O resultado desta ação, de um só homem responsável, gerou uma avalanche de delações premiadas que deve atingir cerca de setenta políticos que receberam propinas ou participaram em algum grau na corrupção da Petrobras. Inclusive com doações legais para as campanhas, um verdadeiro escândalo, inclusive ameaçando a própria presidente Dilma. O ano que vem promete, isso se o Supremo Tribunal Federal cumprir sua missão sem o Joaquim Barbosa... O jornalista Washington Novaes fez o resumo: o faturamento de nove empresas apontadas nas investigações da Operação Lava Jato foi, em 2013, de pelo menos R$ 33 bilhões - quase metade em contratos com o poder público - e elas contribuíram com pelo menos R$ 218 milhões para candidatos e comitês eleitorais (O Globo, 16/11). Os senadores eleitos arrecadaram em 2010 pelo menos R$ 274 milhões e R$ 124 milhões em 2014 (Estado, 6/11); os deputados eleitos arrecadaram R$ 721,3 milhões - e algumas das empresas que mais doaram estão entre as investigadas na Lava Jato. *MARIO EUGENIO SATURNO é tecnologista sênior do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) cienciacuriosa.blog.com