Nesta semana que passou o governador Blairo Maggi fez uma aposta nova para os dois anos e meio restantes do seu mandato, ao nomear o major da Polícia Militar, Eumar Novacki para chefiar a Casa Civil do governo. Em seu discurso, o governador deu-lhe carta branca para tocar a Casa Civil. Já em seu próprio discurso, Novacki deu o tom que, provavelmente, recebeu do governador: aprofundar as relações com os poderes e com a sociedade. No primeiro mandato, o governador deu ao secretário de Infra-estrutura, Luiz Antonio Pagot, a responsabilidade de lidar com os poderes, com a sociedade e com a economia do estado. Pagot vinha de uma relação pessoal muito próxima com a família do governador, ocupando funções executivas nas empresas do grupo. Pagot tem uma vertente política de extremo pragmatismo. O primeiro mandato de Maggi foi tranqüilo, com poucas turbulências. Isso deu ao governador o tempo de se habituar com o governo, já que ele não tinha tradição de lidar com a administração pública. Com a reeleição, e a ida de Pagot para o Departamento Nacional de Transportes e Infra-estrutura de Transportes DNIT, Blairo Maggi ficou órfão na interlocução política que acabou caindo no seu próprio colo, na desconfortável posição de primeira e de última instância em negociações. Ele estava habituado a dar a palavra final nas costuras que já lhe chegavam formatadas. A nomeação do major Eumar Novacki, de certo modo, repete a experiência anterior. Novacki começou a se relacionar com Blairo Maggi no período da transição de governo no primeiro mandato e conhecer-lhe o perfil. Dono de muita iniciativa e capacidade de resolução rápida, acabou por ocupar espaços crescentes no gabinete do governador e a tomar decisões. Montou uma espécie de interlocução improvisada nos problemas políticos e administrativos que desaguavam no gabinete. O fato é que sem uma interlocução de negociações e conversas com a máquina executiva da administração pública, com os problemas de relacionamento com os poderes e uma triagem dos grandes problemas administrativos que o governo gera, na segunda administração o governo pareceu solto. A entrada de Novacki na casa Civil tem esse papel, e servirá para que o governador possa governar a administração a partir de propostas de desenvolvimento, de projetos e de programas. A propósito, recordo-me de uma visita na residência oficial do então governador Dante de Oliveira, e ele estava debruçado sobre uma montanha de processos e de documentos da altura de um homem. Assinava sem ler, confiando que a Casa Civil tivesse visto e analisado tudo aquilo. O governo tem uma capacidade imensa de gerar papéis que, se não passarem por um filtro anterior, afogam qualquer governante. Com carta branca, Novacki poderá lidar com essa papelada, conduzir as conversas políticas e administrativas e solucionar o que puder ser solucionado antes da montanha de papéis. E, como disse ele mesmo: conversar com o governo e com a sociedade. Nesses dois e meio, Maggi terá que resgatar tempos perdidos e ganhar tempo para a enorme transição do fim de seu mandato de governador. * ONOFRE RIBEIRO é articulista deste jornal e das revistas RDM e Centro-Oeste
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