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ARTIGO
Quinta-feira, 23 de Julho de 2015, 19h:52

ADMAR PORTUGAL

Contraditórios

A inauguração das novas instalações do Shopping Popular é uma demonstração de força e do poder econômico que representa essa associação, o bastante para modificar a imagem de um ambiente que se encontrava abandonado ao longo dos anos. Se esperasse pela legalidade e pelos procedimentos licitatórios que atravancam o progresso e o desenvolvimento das cidades e dos órgãos públicos, Cuiabá não veria tão cedo as modificações produzidas pela iniciativa privada naquele logradouro público. Tamanha é a força econômica que produz os importados e o grande interesse público pelo menor preço, que chega a chocar opinião pública e a opinião publicada acerca do que é legal, do que é ilegal, do que é imoral e daquilo que engorda. Frequentemente, vemos as grandes empresas nacionais pressionando as polícias contra os importados, contra a pirataria e tudo mais. Manchetes de jornais falam da pirataria na comparação com os produtos nacionais, supostamente, causadora de desemprego. Operações policiais são deflagradas para combater a pirataria e, de outra parte, os importados comercializados no Shopping dos Camelôs viraram moeda de troca para mudar a feição de um local abandonado há anos. O que muda nos discursos daqueles paladinos da moral e dos bons costumes? Ah! A atitude de um líder dentre os camelôs, com representatividade política e força econômica para fazer o que os entraves burocráticos não permitem, a remodelação de um espaço público entregue às moscas e com o estacionamento sendo alvo de disputas políticas até a bem pouco tempo. Seria a legalização do ilegal? Ou seriam os discursos que deturpavam quem sempre trabalhou? A verdade é uma só, o dinheiro é o combustível que move o mundo e tem a força tamanha de calar a boca de muitos falastrões travestidos de paladinos da moral. De sorte que os importados sempre estiveram nas vitrines do shopping dos camelôs, transformando velhas retóricas moralistas em argumentos fortes para combater estereótipos arcaicos de uma visão equivocada a partir dos pontos de vista das leis obsoletas de um país doentio por receitas públicas mal divididas, mal investidas e onde o seu povo é esbulhado pelas mais altas cargas de impostos, taxas e tarifas. A inauguração do Shopping dos Camelôs mostra o poder de intrusão de um Misael Galvão e de uma dinâmica de atividade, da liderança exercida por este, que cala até mesmo os mais ferozes defensores da receita que combate a pirataria, mas deixa de ser pirata quando faz às vezes do setor público e investe em arquitetura e urbanismo social. Como se vê, a pirataria não passa de uma mera alcunha ditada por aqueles bons cobradores de impostos e péssimos como distribuidores de renda. Sem licitação, milagres acontecem... e os que fingiam enxergar, era apenas por conveniência, mas o dinheiro tem o poder de cegar, mesmo ao César, que sempre quis além do que a ele pertence. Pirata é c... da mãe; aqui quem manda é o dinheiro e “The Money nós tem pra gastá”. Fui... comprar um tênis importado. ADMAR PORTUGAL é repórter

Edição EDIÇÃO 16967




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