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Cuiabá MT, Terça-feira, 16 de Junho de 2026

ARTIGO
Sábado, 31 de Outubro de 2015, 13h:30

GUSTAVO OLIVEIRA

Conto de fadas

Um conto de fadas está em cartaz nos cinemas, a epígrafe sobre a tela escura, no início de ‘Grace de Mônaco’, dá o tom da trama que se desenrola a seguir: “A ideia de que minha vida foi um conto de fadas é em si um conto de fadas Grace Kelly”. O diretor Olivier Dahan, que antes já se dedicara a outra mulher fascinante do século 20 em ‘Piaf: Um Hino ao Amor’ (2007), agora oferece seu olhar atencioso e às vezes piedoso à atriz que abandonou Hollywood para se casar com o príncipe Rainier III de Mônaco e, assim, integrar uma família real europeia. A produção foi tumultuada desde o princípio: Dahan chegou a renegar o projeto devido às interferências dos produtores, da família americana de Grace Kelly e dos herdeiros nobres, que pediram em comunicado para que o longa não fosse chamado “sob nenhuma circunstância de biográfico”. A recepção negativa após a première, no Festival de Cannes, fez com que a estreia nos EUA fosse cancelada – por lá, ‘Grace de Mônaco’ foi apresentado como telefilme pelo canal Lifetime. A tela grande faz bem a Nicole Kidman, que encarna com competência uma Grace Kelly às vezes injustiçada, mas sempre empenhada em tornar o mundo melhor. Concentrada em 1962, a trama acompanha a derrocada de seu casamento em meio à crise resultante do isolamento a que o principado foi submetido pela França de Charles De Gaulle. Grace desempenha papel fundamental na resolução do conflito quando enfim decide não atender aos pedidos do diretor Alfred Hitchcock para protagonizar ‘Marnie’ (1964), esquecendo o cinema e entrando em definitivo no jogo de cena do poder. Talvez Dahan tenha superdimensionado o papel de sua princesa no processo – e, por consequência, exagerado no retrato da impotência política de Rainier III (papel de Tim Roth). Os atores estão todos bem, com destaque para o padre vivido por Frank Langella. Melhores do que os próprios personagens, que no roteiro de Arash Amel são quase sempre prejudicados pelas soluções óbvias – que os façam ser mais facilmente entendidos pelo público. A princesa imperfeita virou o jogo, mas não se tornou perfeita, como sugere ‘Grace de Mônaco’. *Gustavo Oliveira é diretor de Redação do Diário. [email protected]

Edição EDIÇÃO 16962




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