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ARTIGO
Quarta-feira, 10 de Outubro de 2012, 21h:51

ARTHUR GUITARRARI

Classe C consome e acumula dívidas

Nos últimos dez anos, o perfil socioeconômico do Brasil mudou consideravelmente. A principal novidade foi o fortalecimento da classe C, composta por famílias com renda mensal domiciliar total entre R$ 1.064 e R$ 4.561, que virou a “bola da vez” após ser inserida no mercado de consumo e vem ganhando cada vez mais relevância, sendo considerada um “filão” para muitas empresas. De acordo com dados da Secretaria de Assuntos Estratégicos da Presidência (SAE), até o final de 2012, 54% da população brasileira fará parte da chamada “nova classe média”. A classe C identificava-se totalmente excluída do consumo há 10 anos, mas hoje já movimenta cerca de R$ 381 bilhões por ano. A tendência se deve, em grande parte, ao fato de o mercado ter descoberto que quem sustenta o comércio é o varejo. Além disso, agora se sabe que os consumidores de baixa renda são fiéis, pois não podem correr o risco de errar em suas escolhas. Por isso, ao contrário do que se pensava há alguns anos, eles buscam qualidade. No entanto, por serem consumidores de primeira viagem, a classe C tem feito crescer o índice de inadimplência, em consequência da política de juros do governo, que incentiva as compras. Devido à falta de educação financeira, o endividamento torna-se um grave problema social, já que muitos vivem “no limite”, pagando prestações e sem manter nenhum fundo de reservas. Em abril deste ano, o número de operações em atraso chegou ao índice de 7,6%, a maior marca desde setembro de 2009, segundo dados do Banco Central. De acordo com pesquisas de mercado, o mais grave é que os consumidores não se consideram responsáveis pela inadimplência e apontam causas externas. Esse é um dos maiores erros da chamada classe C e dos consumidores brasileiros em geral, que ainda não entendem a importância de planejar e se preparar para o futuro e eventuais imprevistos que surjam. Segundo dados da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (PEIC), feita pela CNC (Confederação Nacional do Comércio) e divulgada em 2011, a maioria das famílias brasileiras endividadas possui renda inferior a dez salários mínimos e justifica o acúmulo de débitos pelas compras excessivas no cartão de crédito, pagamentos de carnês e crédito pessoal. O estudo mostra ainda que o cartão de crédito aparece como líder absoluto dos compromissos financeiros dos consumidores, com 51,4%. Outro dado importante mostrado pela pesquisa foi o aumento nos financiamentos de imóveis, que em junho de 2012 corresponderam a 5,3% frente a 4,1% em maio. É o maior indicador apurado desde abril de 2011. Ainda de acordo com o levantamento, o cheque especial apresentou um recuo significativo entre os compromissos financeiros, caindo para 4,8% em junho, frente aos 8,6% registrados na pesquisa anterior. Outro fator que causa endividamento entre a classe C é a compra do primeiro carro. Empolgada com o acesso ao consumo, cerca de 94,9 milhões de brasileiros da classe C adquiriu o seu primeiro carro pagando em prestações a perder de vista. De acordo o portal Planejar, do Sebrae Previdência, é possível evitar a inadimplência tomando algumas medidas: O primeiro passo é detalhar os seus gastos, tomando consciência da porcentagem de renda direcionada para cada um deles. Antes de pensar em poupar, é preciso conhecer seus gastos fixos. Outra dica relevante é manter um fundo de reserva para emergências, nunca contando apenas com a renda mensal. Uma boa maneira de economizar é ter um objetivo financeiro, seja uma viagem, um bem de consumo ou uma poupança. Ter uma meta ajuda a manter a disciplina e reduzir o consumo diário. * ARTHUR GUITARRARI é gerente de Marketing e Novos Negócios da ZipCode, empresa especializada em prover informações para diversos segmentos do mercado

Edição EDIÇÃO 16967




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