ARTIGO
Quarta-feira, 21 de Fevereiro de 2007, 20h:02
A
A
PAULO ZAVIASKY
Cidadania indignada
Em Cuiabá sempre houve uma lista telefônica que muitos até decoravam. Veio o tal de progresso e nunca mais distribuíram a tal lista telefônica. A cidade precisou dos atuais serviços de informações de números de telefones na quarta-feira de cinzas e só ouviu publicidade. Sem atendentes. Afinal, ninguém é de ferro. E qual é o coroinha cri-cri que iria pedir um número de telefone numa bruta quarta-feira de cinzas?... Idêntico a essa periferia social safada que resolve ficar doente justamente nos sábados, domingos ou feriados. É a mesma coisa, neste festival de desopilação do fígado municipal, onde mestres gaúchos do ritmo vaneirão despencam por aqui como professores de siriri ou cururu (não é mesmo, tenente Lara?) ou, ainda, a tocha olímpica de ser a única cidade do mundo onde a cultura local é ensinada por alienígenas de quem todos gostamos e tanto desejaríamos ensiná-los. Eis o resultado. A bomba dos elogios das festas de São Benedito lá dentro do Clube Feminino numa confusão tão triste de errada onde rezaram missas no clube e estão dançando forró na igreja do Rosário. As críticas doloridas são corretas por quem vivenciou aquela época onde somente branco, rico, da sociedade rigorosamente discriminatória e fechada da época, sabe como era lá dentro. Portanto, fazer história por quem nunca entrou lá é fazer história errada. Por ouvir dizer, contar, fantasiar. É um festival de besteiras tão eloqüente que até a igreja católica resolveu, agora, admitir abertamente que possui tantos padres franceses, britânicos e italianos aos montões em nossa Amazônia. Resolveu tentar impor que este pobre país gaste fortunas cuidando do que já não é seu. Ou sua/nossa ex-Amazônia brasileira. E ainda coloca o dedo no nariz do poder judiciário tupiniquim exigindo o fim das liminares, o fim, portanto, do Direito de Propriedade que o sumido TFP, Tradição, Família e Propriedade, ramificação extremada da própria igreja de Roma, Itália, tanto lutou raspando a cabeça de jovens do sexo masculino daqui. Que país é este, afinal? Onde os Iraquianos e os sírio-libaneses estão fugindo daqui para suas terras em Bagdá, Irã, Iraque, Israel onde há muito mais paz e tranqüilidade do que a guerra civil não declarada, camuflada nos porões do sistema escondendo as mortes que além de violentas são recicladas competentemente por várias metodologias a cada dia que passa? Que país é este onde o próprio síndico presidente levanta o braço do guerreiro boliviano afirmando que ele tem razão em seqüestrar bens da Petrobrás e debochar do povo brasileiro aumentando quase trezentos por cento nosso gás? Agora são três presidentes trabalhando pela Bolívia. O supra-sumo Moralez, de lá mesmo, o cômico Chavez e o Lula, fala baixo, daqui. Droga. Ou o impertinente horário de verão para dar prejuízo como o foi em MT? Embora vão publicar diferentemente. Ou, ainda, um empresário que acaba de afirmar que sua empresa de gás boliviano só pode dar lucro para ele e, quando der prejuízo, como agora em que o Grão-Chefe Soberano dos Reis boliviano e sul-americano aumentou o gás, quem paga é o Estado-povo-humilhado? Capitaliza o lucro só para ele e socializa o prejuízo rateando com os nossos bolsos sob o silêncio dos inocentes! Para onde você olha, só safadeza! Neste apagão aéreo-moral do ninguém é de ninguém neste desastre de cidadania, o povo brasileiro ainda está anestesiado e não acredita que tudo isso esteja acontecendo debaixo dos narizes entupidos dos síndicos deste edifício treme-treme. * PAULO ZAVIASKY é jornalista em Mato Grosso. Está no site 24horasnews e comenta na Rádio Natureza de Chapada(MT) e rede de emissoras.