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ARTIGO
Quinta-feira, 17 de Janeiro de 2013, 20h:51

HELSON FRANÇA

Ciclovias

Utilizar a bicicleta em Cuiabá como meio de transporte é algo ainda quase que inimaginável. Não bastasse o clima quente, a infraestrutura da malha viária, já deficiente e ainda agravada em virtude das obras da Copa, aumenta - e muito - a possibilidade do ciclista vir a ser atropelado por um carro ou ônibus. Não há ciclovias decentes na Capital. Não há espaço para os ciclistas. E para mudar isso só há um caminho: acabar com a miopia urbanística dos governantes. O que também não é nada fácil. Nas cidades brasileiras, a maior parte dos investimentos no espaço público é tradicionalmente voltada para quem anda de carro - o dinheiro que a prefeitura toma de todo mundo é gasto com um só grupo. Por quê? Por inércia. Na nossa cultura política, o que rende voto é obra monumental - basicamente grandes viadutos e avenidas. Não por coincidência, as empreiteiras que fazem essas obras são as grandes financiadoras das eleições. Ou seja, o dinheiro doado na campanha volta multiplicado ao bolso de quem "doou". Esse círculo vicioso, por si só, não é o responsável pela quase inexistência de infraestrutura para ciclistas no Brasil, mas ajuda. Em Cuiabá, o prefeito eleito Mauro Mendes já disse que não acha boa ideia investir em ciclovias, por exemplo. Segundo ele, o relevo da cidade e o clima quente inviabilizam quaisquer investimentos que possam servir de incentivo para um maior uso das bicicletas como meio de transporte. Cada um de nós tem uma escolha a fazer sobre como chegar ao trabalho, escola, faculdade, academia todos os dias. Porém, são inegáveis as vantagens proporcionadas pela “magrela”. Para começar, andar de bicicleta só não é mais barato do que caminhar. E, além do custo baixo, ela é boa para quem pedala (evita obesidade, depressão, doença cardíaca, câncer, melhora o sono, o sexo, a disposição) e para a cidade (reduz o trânsito, não emite poluentes, não piora o clima e reduz gastos públicos com saúde). Investimentos em formas alternativas de locomoção, principalmente em tempos de trânsito caótico, podem ser boas saídas para minimizar as dezenas de problemas que se acumulam todos os dias. Porém, enquanto isso não acontecer, pedalar em Cuiabá continuará a ser considerada uma atividade, ainda que saudável, das mais arriscadas. HELSON FRANÇA é repórter em Cuiabá

Edição EDIÇÃO 16967




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