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Cuiabá MT, Sexta-feira, 12 de Junho de 2026

ARTIGO
Quinta-feira, 08 de Março de 2012, 23h:06

TÂNIA NARA MELO

Chute no traseiro

Faltando pouco mais de 800 dias para o Brasil sediar os jogos Copa de 2014, a impressão que temos é de que estamos fadados a pagar um ‘mico’ daqueles no Mundial. Por todos os cantos do país, nas cidades-sedes dos jogos, o atraso no andamento das obras, seja dos estádios, aeroportos ou de mobilidade urbana, é visível e nos faz crer que a corrida contra o tempo pode resultar em uma grande derrota. Sem contar que a Lei Geral da Copa - exigência da Fifa para a realização do evento no Brasil -, que deveria ter sido aprovada no ano passado, ainda aguarda votação na Câmara dos Deputados. E não bastasse essa situação lamentável, com direito a puxão de orelha do secretário-geral da Fifa, Jérôme Valcke, que na semana passada afirmou que o Brasil precisa ‘de um chute no traseiro’ para acelerar as obras, ainda temos outro grave problema que necessita de uma solução urgente, urgentíssima, para que o fiasco não seja total. O problema em questão é a seleção brasileira de futebol, comandada pelo técnico Mano Menezes. Há quase dois anos, desde que assumiu o comando da seleção, Mano Menezes vem testando jogadores com o objetivo de formar uma equipe que possa conquistar o tão sonhado hexacampeonato. De lá pra cá foram 21 jogos, com 13 vitórias, com uma média de 1,42 gol por jogo segundo os especialistas no assunto, mais de 80 jogadores convocados, dos quais mais de 60 colocados em campo, e até agora não temos uma seleção confiável. Não temos uma seleção que nós, torcedores, possamos ver entrar em campo e acreditar na vitória. A gente até tenta confiar, mas é difícil. Talentos individuais temos de sobra, porém nos falta o conjunto. Quando convocados, os jogadores têm pouco tempo para se entrosar e formar uma equipe de fato ao chegar ao campo. E a cada novo jogo, novas convocações, e o que se vê é um quebra-cabeças onde muitas peças parecem não se encaixar. Já está mais do que na hora de termos uma seleção de fato, que atue em conjunto, que seja uma união de talentos e se prepare com afinco para lutar pela conquista do Mundial. E a luta não vai ser fácil, porque a maioria das seleções que estarão em campo já passou da fase de testes há tempo. Boa parte delas tem equipes bem afinadas, com jogadores que atuam lado a lado há muito tempo, o que lhes dá mais confiança e a garantia de bons resultados. Não podemos dizer o mesmo do escrete verde-amarelo. Se não formarmos uma equipe de verdade, onde todos tenham o mesmo propósito e a preparação seja intensa, não há dúvidas de que vamos mesmo levar um belo ‘chute no traseiro’ pra fora da Copa. TÂNIA NARA MELO é editora de Opinião do Diário

Edição EDIÇÃO 16961




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